perspectivas

Quarta-feira, 4 Dezembro 2013

Combater a irracionalidade do utilitarismo abortista com argumentos utilitaristas racionais

Filed under: A vida custa,aborto,Esta gente vota — O. Braga @ 10:33 am
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Eu penso que o aborto deve ser punido no Código Penal: a pena de prisão deve ser reintroduzida na lei. Não sendo isto (ainda) possível (lá chegaremos, quando a taxa de natalidade for negativa, e já não estamos longe disso), pelo menos deveria desde já ser proibida a propaganda do aborto ou a menção favorável em relação ao aborto nos me®dia — como fez a Rússia!

“Há que aprender a manejar as armas do adversário, mas com o devido asco” — Nicolás Gómez Dávila


O utilitarismo que presidiu à legalização do aborto deve ser combatido com argumentos utilitaristas, embora com o “devido asco”. Isto porque o utilitarismo é, em si mesmo, contraditório e devemos aproveitar essa sua fraqueza: o utilitarismo encontra-se condicionado por duas proposições antitéticas ou contraditórias entre si: por um lado, uma proposição positiva, que diz que os homens devem ser considerados como indivíduos egoístas, calculadores e racionais, e que tudo deve ser pensado e elaborado a partir do seu ponto de vista; e, por outro lado, uma proposição normativa, que afirma que os interesses dos indivíduos, a começar pelo meu próprio, devem ser subordinados e mesmo sacrificados à felicidade geral ou do “maior número”.

Ou ainda: todo o utilitarismo mistura, em proporções infinitamente variáveis e dependente apenas da discricionariedade política das elites da sociedade, uma axiomática do interesse e uma axiomática sacrificialista, que é contraditória e simultaneamente um encantamento pelo egoísmo e uma apologia do altruísmo, e uma tentativa de reconciliar um ponto de vista ferozmente individualista e uma vertente globalizada, universalista e holista.

O utilitarismo é, por excelência, o instrumento político de dissonância cognitiva e da estimulação contraditória transversal a toda a sociedade.


A única forma eficaz de combater o aborto utilitarista é utilizando argumentos utilitaristas, mas com o “devido asco”. Porque o utilitarismo é uma espécie de vírus ideológico que muda e se adapta a diversas situações, e a única forma de matar um vírus é a utilização de um antivírus que “fale a mesma linguagem” do vírus.

Quando dizemos que a taxa de natalidade portuguesa é hoje de cerca de 1 criança por mulher, e que a tendência é que essa taxa se aproxime de zero crianças por mulher, estamos a utilizar um argumento utilitarista contra a lei do aborto. Estamos a falar a linguagem do absurdo, mas com o “devido asco”. Porém, o que não podemos fazer é isto:1

“O estatuto moral do infanticida é equivalente ao de um cão raivoso pois ambos revelam ausência de empatia pelas suas vítimas. Em vez de pessoas, cão raivoso e infanticida são bestas perigosas. Como não são pessoas, nenhum deles tem direito a viver.
Tal como acontece com os cães raivosos, permitir aos infanticidas a vida em sociedade e liberdade implica risco de vida para outros. A hipótese de um determinado cão raivoso ser curado não é razão para proibir, em absoluto, o abatimento de cães raivosos. E o facto de um cão raivoso não ter ainda atacado qualquer pessoa também não é motivo para proibir que ele seja abatido por precaução.
Da mesma maneira, a hipótese de um infanticida mudar de ideias, arrepender-se ou o facto de ainda não ter atentado, na prática, contra a vida de qualquer criança, também não é motivo para proibir a execução de infanticidas.

Portanto, argumento que todas as circunstâncias que justificam a matança de um cão raivoso, justificam a matança de um infanticida.”

Neste caso também se trata de uma argumentação utilitarista, mas negativa — porque a punição mortal também se justifica ali em nome do princípio utilitarista da “maior felicidade para o maior número”. Quando dizemos que “a maior felicidade para o maior número” justifica determinada opção ética, estamos a ser utilitaristas; o argumento utilitarista (consequencialismo) pode ser positivo (quando utiliza a lógica e a razão para combater o próprio utilitarismo; ou “curar a doença do cão com o pêlo do próprio cão”, como diz o povo), ou negativo (quando utiliza a própria irracionalidade e a contradição do utilitarismo para contrapôr outro argumento utilitarista irracional e contraditório).

Nota
1. Agora já percebo por que razão fui convidado a sair daquele blogue.

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