perspectivas

Quarta-feira, 4 Dezembro 2013

A solução do problema demográfico passa por uma relação directa entre o IRS e a filiação

 

Face ao decréscimo da taxa de natalidade (número médio de filhos por mulher), alguns países da Europa (os mais ricos) estabeleceram um valor pecuniário de incentivo à natalidade. Porém, esse tipo de incentivos só funciona em relação às classes mais baixas: as classes médias e altas prescindem desse incentivo e, na maior parte das vezes, prescindem também dos filhos.

A solução do problema demográfico passa por uma relação directa entre o IRS e a filiação.

bebePor exemplo, uma mulher ou um homem solteiros que ganhem, cada um, 1.000 Euros mensais descontam actualmente de IRS 13,5% — ou seja, descontam 135 Euros, e têm um salário líquido de 865 Euros (sem contar com as outras alcavalas). O que vai ter que ocorrer, no futuro, é penalizar, no IRS, os adultos (homens e/ou mulheres) com mais de 25 anos e sem filhos. Por exemplo, solteiros ou casados sem filhos, com mais de 25 anos e com um rendimento bruto de 1000 Euros cada um, deveriam pagar de IRS mais 20 pontos percentuais (= 33,5%) ; e com um filho, a pessoa ou o casal passaria a ter um IRS de 23,5% (menos 10 pontos percentuais sobre o salário bruto); e com dois filhos aplicar-se-ia a taxa normal de 13,5%. Só a partir do terceiro filho, o cidadão ou a cidadã passariam a ter bónus no IRS — por exemplo, a partir do terceiro filho o IRS poderia rondar os 5%, e independentemente dos incentivos à natalidade de que se falou acima e que apenas beneficiam a classe mais baixa.

Ou seja, se o salário fosse de 1000 Euros, a diferença salarial entre um homem sem filhos e outro com dois seria de 200 Euros mensais.

Esta diferença acentuar-se-ia, por exemplo, em um caso de uma pessoa solteira sem filhos com um salário de 2500 Euros: o desconto actual do IRS, neste caso, é de 27,5%, o que significa um salário líquido de 1.812,50 Euros: este salário líquido seria o normal para uma pessoa com dois filhos. No caso de essa pessoa (com salário de 2500 Euros) não ter nenhum filho, a taxa de IRS seria agravada em 20 pontos percentuais (= 47,5%), o que significaria um salário líquido de 1.312,50 Euros ( menos 500 Euros do que se tivesse dois filhos). E assim por diante, até aos rendimentos mais altos.

Alguém poderá dizer que, neste esquema, quem ganharia mais sairia beneficiado em relação a quem ganharia menos; porém, entra aqui em equação o incentivo à natalidade por parte do Estado, que não abrangerá, por exemplo, quem ganhe mais de 1000 Euros. Um homem que ganhe até 1000 Euros, sendo solteiro, e que tenha assumido a paternidade de dois filhos, para além dos 200 Euros de ganho nos descontos do IRS, teria um abono de família substancial e proporcional ao seu salário — o que não aconteceria com quem ganhasse mais de 1000 Euros (isto são apenas ideias e exemplos de ideias!). Um homem que ganhe até 1000 Euros, sendo solteiro, e que tenha assumido a paternidade de dois filhos, poderia ter um ganho mensal de 300 Euros em relação a um cidadão na mesma situação e sem filhos.

O problema dos casados (homem e mulher) deveria ser tratado de forma semelhante, embora não idêntica. A taxa de IRS para casados (homem e mulher), com dois titulares de rendimentos e para 1000 Euros, deveria ser inferior à taxa de IRS de duas pessoas com o mesmo rendimento vivendo em regime de concubinato ou união-civil.

Você vê alternativa a isto? Eu não!

3 comentários »

  1. 🙂
    O problema ja nao depende do governo …

    CIA World Fact Book

    Contraceptive prevalence rate

    Portugal ……86.8%
    Brasil………..80.3%
    Suecia………75.2%
    Holanda…….69%

    Filipinas……..48.9%
    Angola……….17.7%

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    Comentar por Joseph Alves — Quinta-feira, 5 Dezembro 2013 @ 12:09 am | Responder

    • A ideia segundo a qual existe uma relação directa, total e necessária, entre a contracepção, por um lado, e a baixa taxa de natalidade, por outro lado, não corresponde totalmente à verdade. Por exemplo, uma mulher pode ter três filhos em seis anos e depois passar o resto da sua vida fértil em regime de contracepção.

      O problema não é apenas a contracepção: é sobretudo a recusa da mulher em estar disponível para interromper a contracepção e engravidar, ou seja, a mulher portuguesa, em geral, está cada vez menos disponível para ter filhos — este é um problema cultural e social complexo que não cabe aqui abordar; e não é só um problema da mulher, mas também do homem.

      Por outro lado, a contracepção não é eficaz na prevenção da gravidez; e por isso é que a classe política portuguesa, coordenada pelos mentores da plutocracia globalista representada em Portugal por Pinto Balsemão, foi obrigada pela União Europeia a legalizar o aborto gratuito (pago pelo Estado).

      Portanto, o problema é do governo: em vez de o Estado estar a incentivar a natalidade, faz exactamente o contrário: paga os abortos com o dinheiro dos contribuintes.

      O futuro do país passa por penalizar com impostos quem não tem filhos — com contracepção, ou sem contracepção — e por obrigar quem aborta a pagar o seu aborto do seu bolso. Ou, então, mais vale começarmos todos a pensar em acabar de vez com um país de nove séculos que se chama Portugal.

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      Comentar por O. Braga — Quinta-feira, 5 Dezembro 2013 @ 2:29 am | Responder


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