perspectivas

Sábado, 9 Novembro 2013

O tradicionalismo é hoje uma “sopa de pedra”

 

Em Portugal, os tradicionalistas têm uma grande dificuldade em teorizar sem caírem nas armadilhas ideológicas da modernidade. Ou seja, é muito difícil conseguir uma coerência mínima — porque a coerência total é uma impossibilidade objectiva — entre o verdadeiro tradicionalismo (que é intemporal porque se radica em valores eles mesmos intemporais), por um lado, e, por outro lado, as ideologias políticas modernas que utilizam um conceito deturpado de "tradicionalismo" para tentar impôr à sociedade um modelo político anti-tradicionalista e revolucionário.

bandeira-afonsinaÉ o que se passa também, por exemplo, com a Front Nationale de Marie Le Pen em França: esse partido é tão laicista quanto a maçonaria radical do Grande Oriente de França. E, no entanto, quem ouvir Marie Le Pen discursar poderá ficar com a ideia de que a Front Nationale é um partido político tradicionalista, quando a verdade é que se trata de um partido tão revolucionário quanto um qualquer Partido Comunista ortodoxo. A diferença entre a Front Nationale e um qualquer Partido Comunista é de substância, mantendo-se, contudo, a mesma forma.

O tradicionalismo está a ser transformado em uma agenda política revolucionária que nega, em última análise, o próprio tradicionalismo. Por analogia, é como se alguém utilizasse o conceito de “igualdade” para impôr um modelo despótico de governação.

A tradição — na cultura antropológica — pode ser definida como um conjunto das ideias, crenças, instituições e costumes de qualquer colectividade, conjunto esse que não provém de uma codificação escrita ou do Direito Positivo. Além desta definição, a tradição está também intimamente ligada com a valorização da História (nas pessoas mais esclarecidas) ou com o mito histórico (no povo, em geral): a veneração dos antepassados ilustres que contribuíram para que a História fosse feita.

Na Europa e em Portugal, qualquer movimento político que se diga “tradicionalista” e que simultaneamente abrace o laicismo (não confundir com secularismo), é contraditório em termos.

1 Comentário »

  1. É tudo como que uma técnica de esvaziamento por osmose, um parasitismo tipicamente maçônico. São como um humano hospedeiro que come vegetais contaminados [por preguiça], pensando estar numa dieta mais saudável: na verdade, come vermes para alimentar outros vermes. Venha como venha, o que querem é o sangue final das entranhas do hospedeiro.

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    Comentar por Júlio César Coelho (Ebrael) — Sábado, 9 Novembro 2013 @ 10:53 pm | Responder


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