perspectivas

Domingo, 3 Novembro 2013

Vem aí mais uma polémica papal: a “ética democrática” à moda de Habermas

 

«A assembleia plenária dos bispos portugueses, agendada para Novembro, vai analisar a forma como será feito o questionário do Vaticano que aborda temas como o divórcio e o “casamento” homossexual, disse o porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa.»

Isto não me agrada. Depois das tomadas públicas de posição de Francisco I, através de entrevistas polémicas, tudo o que venha dele coloca-me de sobreaviso: ¿O que é que Francisco I pretende? Tendo em conta a ambiguidade natural deste Papa, temos sempre que fazer a pergunta: ¿O que está por detrás desta ou daquela iniciativa?

¿O que significa este “inquérito”?

Bom, parece-me que se pretende que a ética seja sujeita a voto, à moda do modelo discursivo de Habermas. Se o povo dito “católico” votar que o aborto é aceitável em determinadas situações, então o clero católico — que o Papa abomina mas que ambígua e simultaneamente representa — poderá demonstrar alguma tolerância em relação ao aborto em nome da “democracia ética”. Parece-me que se pretende aproximar a ética da Igreja Católica da ética de Bertrand Russell.

«O tema dos divorciados que voltaram a casar é delicado. Muitos deles, muito envolvidos na Igreja, revoltaram-se por serem excluídos da comunhão, o que levou o papa Francisco a manifestar vontade de "tomar uma iniciativa para resolver os problemas da nulidade dos casamentos".

Tal como Francisco, Bento XVI já tinha referido que os divorciados deviam ser acolhidos na Igreja. Os dois papas pretendem aprofundar as razões da nulidade do casamento, com a ideia de os tornar possíveis em caso de imaturidade, falta de fé, nomeadamente, quando o sacramento foi decidido por ser tradição.»

¿O que é isso de "tomar uma iniciativa para resolver os problemas da nulidade dos casamentos"? O que é que o Papa quer?

Os divorciados são acolhidos pela Igreja Católica, e quem diz o contrário é tolo. A exclusão da comunhão dos divorciados tem um valor simbólico, e sem símbolos e sem valores estabelecidos hierarquicamente, não há ética que possa existir. O que a Igreja Católica de Francisco I tem que fazer é simples: volte a Santo Agostinho e leia o que ele escreveu sobre o casamento numa época em que ainda não existia o Vaticano e a Igreja Católica. Leia o que disse S. Paulo numa época de Cristianismo puro; e deixe-se de “éticas democráticas”.

Adenda: Homossexuais católicos portugueses aplaudem inquérito do Vaticano

1 Comentário »

  1. não sou adepto de crer em “profecias”, mas tem esse texto muito curioso de 2010, quando ninguém tinha menor idéia de quem seria Bergoglio, o autor do texto, menciona o livro “De la Cabala al progresismo” que fala sobre a possibilidade de “papa hipócrita”. O autor comenta que as descrições do “papa hipócrita” não se encaixam em Bento XVI.

    Según esto hay dos iglesias, una de la “publicidad” y otra “de las promesas” y un solo Papa al frente de ambas: Un Papa “de actitudes ambiguas” que da pie a “mantener el equívoco” por medio de sus “hechos reprobables” que “alientan a la subversión” pero que al mismo tiempo se mantiene en la ortodoxia. ¿Qué clase de Papa seria este? Yo no le doy vuelta de hoja: Quienes sostienen que tenemos un Papa así, afirman que tenemos, nada menos y nada más, que un Papa pusilanime, que no tiene firmeza para practicar la verdad, y que con sus malos ejemplos da pie para la condenación de las almas. Un Papa cobarde que tiene miedo de actuar correctamente y que no tiene la firmeza para hacer lo que debe hacer.

    Personalmente no creo que tengamos un Papa así. Y no quiero decir con esto que haya idealizado el Papado al punto de creer que no puede cometer errores (heteropraxis), pero simplemente no creo que sea el caso ni del Papa actual (Benedicto XVI) ni del anterior (Juan Pablo II).

    Puedo entender que a algunos católicos les sea difícil de asimilar la manera de actuar y enseñar de Benedicto XVI en algunos puntos que chocan con su tradicionalismo: Diálogo inter-religioso, ecumenismo, libertad religiosa, etc. pero creo que la solución no es inventarse un Papa que en secreto está de acuerdo con ellos, y que ante el mundo aparenta lo contrario (seria también un Papa hipócrita ).

    http://infocatolica.com/blog/apologeticamundo.php/1007160740-el-padre-julio-meinvielle-y-s

    Gostar

    Comentar por Marcelo R. Rodrigues — Domingo, 3 Novembro 2013 @ 7:07 pm | Responder


RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

AVISO: os comentários escritos segundo o AO serão corrigidos para português.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: