«Na coluna de opinião que o economista Vítor Bento assina às quartas-feiras no Diário Económico lê-se hoje sobre a insistência na “ideia de que ‘direitos adquiridos’, como se a sua irrevogabilidade fosse garantida pelos princípios da Justiça” mas, esclarece, “não é. Pelo contrário, a irrevogabilidade é, em muitos casos, uma violação [desses] princípios”.»
O princípio de que parte o Vítor Bento, é correcto: o "direito" é um privilégio que a sociedade concede a um indivíduo ou a um de grupo de indivíduos, e que pode ser retirado a qualquer momento. Mas, segundo a tradição (monárquica) portuguesa, um privilégio só pode ser retirado em caso de força maior ou no caso do beneficiário (ou de um grupo de beneficiários), pelo seu comportamento e acção, deixar de merecer esse privilégio.
Porém, Vítor Bento enviesa esse princípio, aproximando-o do Triunfo dos Porcos: “Há uns porcos que têm mais direitos irrevogáveis do que outros porcos”.
Segundo Vítor Bento, os "porcos" que detêm os "privilégios irrevogáveis" dos negócios chorudos das PPP (Parcerias Público-privadas) — por exemplo e entre muitos outros “direitos irrevogáveis” — têm mais “direitos irrevogáveis” do que os "porcos" que ganham pensões de reforma de 419 Euros. Ora, é este tipo de falácia da “direita” que justifica a existência da esquerda.
Eu fico aborrecido quando eminentes economistas e outros personagens da elite portuguesa dizem, implícita ou explicitamente (como diz Vítor Bento), que “ser de direita” é ser vigarista, velhaco e chico-esperto. Não há melhor forma de prestar tributo à esquerda do que pensar como o Vítor Bento.