perspectivas

Quarta-feira, 30 Outubro 2013

O Euro só é bom para a classe política e para as grandes empresas

Filed under: A vida custa,Portugal — O. Braga @ 10:51 am
Tags: , , ,

 

As grandes empresas (que incluem os Bancos) que operam em Portugal, ou são multinacionais oriundas da União Europeia da zona Euro, ou sendo portuguesas, são muito poucas. Portanto, cada vez mais, não se compreende que haja uma política macro-económica que sirva apenas para meia dúzia de gatos pingados.

Ontem vi e ouvi um senhor que dá pelo nome de Alexandre Patrício Gouveia (ver quem ele é!) dizer num canal de televisão que se Portugal sair do Euro haverá uma inflação de 90%! ¿Quem paga a esse senhor para criar o pânico na população? Quem está “por detrás” do Patrício Gouveia?

O que o Gouveia não disse é que desde que Passos Coelho entrou para o poleiro, já houve uma desvalorização da moeda (ou a "inflação" do Gouveia) de cerca de 20% por via do aumentos dos impostos e dos cortes nos salários. E não fica por aqui: quando Passos Coelho sair do poleiro, Portugal terá tido uma “desvalorização da moeda” (por via dos impostos e dos cortes) de pelo menos 30%, em relação ao que existia em 2011. É esta a realidade que se pretende esconder quando se lançam atoardas de níveis de inflação de 90% se Portugal sair do Euro.

O Euro também é bom para os sibaritas e “cidadãos do mundo” que constituem a classe política.

Aposto que quando Passos Coelho acabar de destruir Portugal, tem já um lugar ao sol (vulgo “tacho”) assegurado em um qualquer areópago europeísta. O Euro criou uma elite política totalmente alheada da realidade do cidadão português. E esta realidade portuguesa é composta maioritariamente por pequenas e médias empresas que, maioritariamente, já se encontram fora do “sistema”. Uma pequena empresa portuguesa é hoje invisível, a nível económico; o Estado só se lembra dela para cobrar impostos.

O Euro teve o efeito perverso e contraproducente de reforçar o peso do Estado na economia. E este efeito perverso vai continuar, embora de maneira diferente do que até agora: o Estado português dentro do Euro vai, por um lado, ser a razão principal pela qual os crescimentos da economia continuarão a ser indigentes; e, por outro lado, neste contexto de indigência do crescimento da economia, o Estado português vai ser o cobrador de impostos necessário para pagar aos credores internacionais.

Ou seja, dentro do Euro, vamos continuar ter crescimentos de merda e impostos altos nas próximas décadas. E como a única forma de se poder pagar a dívida, com alguma dignidade, é fazendo crescer a economia — e como o crescimento da economia portuguesa é uma impossibilidade objectiva dentro do Euro —, o “Estado dentro do Euro” é, de facto, o grande inimigo de Portugal. E esse “Estado dentro do Euro” é composto pela classe política e pelas grandes empresas.

Deixe um Comentário »

Ainda sem comentários.

RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

AVISO: os comentários escritos segundo o AO serão corrigidos para português.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

Site no WordPress.com.

%d bloggers like this: