perspectivas

Quarta-feira, 2 Outubro 2013

A caridade do Padre Nuno Serras Pereira, e o Bergoglismo

 

Como bom franciscano, o Padre Nuno Serras Pereira não prescinde da caridade, e desta feita estende-a aos pensamentos e à acção do cardeal Bergoglio enquanto dignitário do Trono de Cristo.

che-bergoglio-PNG-WEBEsta posição de misericórdia, por parte do Padre Nuno Serras Pereira, contrasta com um primeiro estado de alguns "católicos fervorosos" que era de negação (recusa de ver a realidade), a que se seguiu um segundo estado que é o do silêncio (outra forma de recusar ver a realidade). O silêncio é a pior forma de resignação — porque posso resignar-me, protestando, como Jesus Cristo fez — porque dá sempre vantagem aos opositores. Ou, como escreveu G. K. Chesterton: A tolerância moderna é, na verdade, uma tirania. É uma tirania porque é um silêncio”. O silêncio é sinal de submissão, é sintoma de que a tirania impera.

Eu compreendo a posição do Padre Nuno Serras Pereira, mas cada um de nós tem uma função específica na Igreja: uns chamam à atenção para a caridade, e outros para a coerência interna da doutrina da Igreja Católica. A Igreja somos nós todos, os que aceitam os princípios da doutrina; e, por isso, temos o direito à crítica — porque o cardeal Bergoglio não é Deus, e nenhum ser humano está a cima da crítica.

O Bergoglismo

O Bergoglismo é uma heresia, e como todas as heresias tem uma estrutura ideológica, ou uma espécie de lógica interna. À medida que o cardeal argentino vai falando, essa estrutura interna da heresia vai-se tornando mais clara.

O Bergoglismo vai ficar para a História como a mais grave heresia desde a Nova Teologia de Bonhoeffer (et al) que está (não só, mas também) na origem da Teologia da Libertação. De facto, o Bergoglismo é um sincretismo: é o desenvolvimento e uma actualização desparasitada da Teologia da Libertação, despindo-a de alguns elementos directamente conotáveis com o marxismo clássico e tornando-a mais aceitável e “consumível”. O Bergoglismo é uma síntese da Nova Teologia (aqui, o cardeal Bergoglio entronca em algumas ideias de Hans Küng), por um lado, e da Teologia da libertação, por outro lado.

A mentira piedosa

Por isso, quando o Padre Nuno Serras Pereira escreve o que se segue, comete uma mentira piedosa:

“Mas o que poucos parecem reparar é que até agora, tudo o que de certeiro diz e faz, mais não tem sido do que um trocar por miúdos e dar maior visibilidade mediática ao que os seus dois predecessores tinham realizado” (refere-se a João Paulo II e a Bento XVI).

Uma mentira piedosa não é propriamente um pecado; quando muito, será um pecado muito venial.

A comparação entre o cardeal Bergoglio e Jesus Cristo

O Padre Nuno Serras Pereira compara o cardeal Bergoglio, por um lado, e Jesus Cristo, por outro lado:

“Jesus Cristo quando verificava que multidões entusiasmadas o procuravam e aclamavam dirigia-lhes palavras duras discorrendo sobre a Cruz e demais exigências do seguimento. E quando perante esses ditos considerados intoleráveis o queriam abandonar Ele não cedia um milímetro e deixava-os ir.”

O cardeal apazigua os incréus e hostiliza e humilha os que aceitam os princípios do Cristianismo.

Todas as pessoas têm o direito a fazer as comparações que quiserem. Por exemplo, alguém tem o direito de comparar a ontologia de Albert Einstein com a de um chimpanzé do Zoo de Lisboa. Mas penso que há comparações que não fazem grande sentido: não podemos comparar a acção de nenhum Papa, em toda a história da Igreja Católica, com a acção de Jesus Cristo.

O Padre Nuno Serras Pereira poderá estar a fazer, em vez de uma comparação, uma analogia. Mas o Padre, mesmo assim, está equivocado, porque as multidões que seguiam Jesus não conheciam ainda as suas (Dele) ideias. O que o cardeal Bergoglio está a fazer é o contrário do que Jesus Cristo faria: o cardeal apazigua os incréus e hostiliza e humilha os que aceitam os princípios do Cristianismo.

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