“O resultado nacional mais relevante é a demonstração da infrutífera tentativa de separação do PSD da política do governo. Passos Coelho salientou-o no discurso. Para todos os efeitos, a haver uma leitura nacional, será a de preferência dos portugueses por um PSD de Gaspar em detrimento de um PSD a disputar socialismo com o PS.”
Esta citação no blogue Blasfémias releva o grande equívoco do PSD do Pernalonga — já nem falo no equívoco da interpretação dos resultados das eleições: falo apenas da conclusão maniqueísta que afirma que “se o Partido Social Democrata não for o de Gaspar e de Passos Coelho, então o partido é igual ao Partido Socialista”. Passos Coelho e os blasfemos colocaram o Partido Social Democrata e o país em uma situação de double blind.
Este equívoco, que invoca e convoca o rotativismo partidário do século XIX, tem sido o fantasma do Partido Social Democrata. A um partido não basta a ideologia: tem que ter, antes de tudo, uma ética. A ética é a alma de um partido político. A ética de um partido fornece os contornos da sua ideologia. A ética do Partido Social Democrata não tem necessariamente de ser idêntica à do Partido Socialista; mas o problema do Partido Social Democrata é que é um partido sem alma porque desprovido de ética. A ética do Partido Social Democrata não é boa nem má, nem é diferente ou igual à do Partido Socialista: a ética do Partido Social Democrata simplesmente não existe.
A ética do Partido Social Democrata de Passos Coelho consiste na ausência de ética: parece um contra-senso, mas é verdade. O Partido Social Democrata de Passos Coelho faz da ausência de qualquer ética, o ethos da sua política. O Partido Social Democrata de Passos Coelho consegue ser ainda mais anético do que o Partido Socialista, o Bloco de Esquerda ou o Partido Comunista — porque acompanha estes últimos partidos no relativismo de determinados valores fundamentais, ao mesmo tempo que impõe falaciosamente à sociedade os valores de uma axiologia social-darwinista. O Partido Social Democrata de Passos Coelho é um equívoco.