perspectivas

Sexta-feira, 30 Agosto 2013

A filosofia causa “pele de galinha”

A Helena Damião escreve aqui um verbete (que comentarei a seguir a uma breve nota) em que cita Karl Popper e classificando-o de “epistemólogo”. Epistemólogo deriva de epistemologia. Ora, epistemologia é um termo ambíguo, porque no mundo anglo-saxónico (Estados Unidos, Reino Unido, etc.) significa “teoria do conhecimento”, e na Europa continental – sobretudo em França – significa “história da ciência”.

Quando a Helena Damião diz que Karl Popper foi um “epistemólogo”, ficamos sem saber exactamente se ele foi um especialista na área da teoria do conhecimento, ou se foi um especialista na área da história da ciência – porque as duas áreas não são coincidentes.

A verdade é que Karl Popper foi um filósofo, porque para além da história da ciência, abordou também a metafísica (por exemplo, a teoria dos “três mundos”), um pouco a ética, muita filosofia política (podemos concordar com ela ou não), etc.. Mas, para algumas pessoas, a palavra “filosofia” causa pele de galinha e suores frios. E por isso é que Karl Popper é classificado de “epistemólogo”.


Em relação aos me®dia – no caso vertente do verbete de Helena Damião, falamos da televisão -, simpatizo com a opinião da Helena Damião pela coragem dela em negar a lógica da espiral do silêncio . A política editorial dos me®dia não se rege apenas pela lógica do lucro: em vez disso, existe sempre uma qualquer agenda política e cultural que impõe à sociedade uma espiral do silêncio. Essa agenda política e cultural pode ser, por exemplo, neoliberal, ou pode ser neomarxista – o que no fundo vai dar no mesmo, porque o neoliberalismo faz parte do processo revolucionário.

A indução do gosto do feio é uma forma de degradação moral da sociedade, porque a ética está intimamente ligada à estética. Quando alguém gosta do feio, podemos imediatamente inferir as características básicas da sua ética. A indução do gosto do feio, por parte dos me®dia, não é só parte de um negócio: faz sobretudo parte de uma agenda política específica que, utilizando a espiral do silêncio, acaba por homogeneizar a cultura antropológica e enraizá-la na barbárie.

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