perspectivas

Quinta-feira, 29 Agosto 2013

Passos Coelho, o bom aluno

Passos Coelho informa discretamente o FMI (Fundo Monetário Internacional) de que, na opinião dele, é preciso baixar os salários em Portugal. A seguir, o FMI emite um comunicado público em que diz que é preciso baixar os salários em Portugal, incluindo o salário mínimo. E depois, Passos Coelho diz que não tem nada a ver com esse comunicado do FMI : apenas segue ordens desse organismo.

Seria de esperar, de um governo normal, que este reagisse ao comunicado do FMI; mas apenas imperou o silêncio, o que demonstra que o comunicado foi encomendado pelo governo do Pernalonga.

E depois, vem o engenheiro de Aveiro, patrono político do Passos Coelho, dizer que o CDS/PP “está amarrado” a Passos Coelho e que Paulo Portas nada pode fazer contra o ideário político do Pernalonga. Chegamos a um ponto em que o povo português tem que escolher entre o mau e o péssimo, ou seja, entre o Partido Socialista e os partidos da coligação governamental.

A Passos Coelho não interessa saber que o salário mínimo nacional é dos mais baixos de toda a zona Euro. Apenas países com graves problemas recentes de secessionismo (Eslováquia, Croácia) e saídos de uma grave crise de identidade nacional, têm salários mínimos mais baixos. Ora, Portugal é o país da Europa mais antigo no que respeita à estabilidade das suas fronteiras, e dos países mais homogéneos do ponto de vista cultural.

Passos Coelho quer transformar Portugal em uma Roménia. Ora, não é possível comparar, do ponto de vista histórico, civilizacional e cultural, Portugal com a Roménia, com todo o respeito por este último país.

Por enquanto, ainda há algumas vantagens em Portugal estar no Euro. Ora, o que se pretende é retirar essas vantagens ao mesmo tempo que se vão adicionando paulatinamente novas desvantagens, até chegar ao ponto em que vemos um país dentro de um sistema com uma moeda fortíssima, mas onde 30% – ou mais – do povo vive abaixo do limiar da pobreza.

Passos Coelho tenta convencer o povo da ideia segundo a qual se se baixar o salário mínimo, então o desemprego tende a baixar. Essa é a maior mentira alguma vez propalada na III república, porque se isso fosse verdade, a Albânia não teria uma taxa de desemprego de 14%; a Arménia não teria uma taxa de desemprego de 18%; a Bósnia não teria uma taxa de desemprego de 45%; a Bulgária não teria uma taxa de desemprego de 13%; a Croácia não teria uma taxa de desemprego de 22%; o Montenegro não teria uma taxa de desemprego de 13%; Marrocos não teria uma taxa de desemprego de 10%; Moçambique não teria uma taxa de desemprego de 60%; a Sérvia não teria uma taxa de desemprego de 23%; a Eslováquia não teria uma taxa de desemprego de 15% (Fonte).

Não há uma relação directa entre salários baixos e a diminuição da taxa de desemprego. O que Passos Coelho está a tentar fazer é enganar o povo português.

Angela Merkel disse recentemente que a Grécia nunca deveria ter entrado no Euro – e é verdade. Mas também é verdade que chegou a hora de Portugal propor a Angela Merkel uma saída programada e ordenada de Portugal do Euro.

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