O pasquim Público conta a história da cidadã sérvia Bojana Danilovic (na imagem), que vê o mundo ao contrário (ver ficheiro PDF da notícia). E no fim da notícia, o pasquim arremata com a seguinte frase:
« Segundo o “New York Daily News”, Bojana sofre desta perturbação desde nascença, pelo que é “completamente normal”. “É apenas a forma como vejo o mundo.”»
Ou seja – segundo o pasquim Público que apela para uma autoridade de direito de um outro pasquim – uma pessoa que sofra de uma qualquer perturbação, desde que seja de nascença, é “completamente normal”. Note-se que o pasquim Púbico é conhecido por considerar o comportamento gay “completamente normal” – talvez por seguir o mesmo critério segundo o qual “os gays já nasceram assim”.
“Normal” vem de “norma“, que em latim significa “esquadro”. E norma é toda a regra em relação à qual se pode emitir um juízo de valor. O que é normal está conforme a norma que, por sua vez, é o critério ou o princípio aos quais nos referimos para fazer um juízo de valor. Sem uma norma de uma coisa não possível emitir juízos de valor sobre essa coisa. Uma norma é instituída em referência a uma medida em relação à qual são medidos os desvios.
Sem uma norma não pode existir o anormal; e se o anormal não existe porque tudo é “completamente normal”, então ficamos sem saber como podemos dizer que uma coisa é normal ou não. E se não podemos dizer se uma coisa é normal ou não, então também não podemos dizer que essa coisa é “completamente normal”.
O que jornal púbico quer dizer com a classificação de “completamente normal”, é que um desvio é a norma. E se a norma é o desvio, o desvio passa a ser normal e a norma não existe. E se a norma não existe, tudo passa a ser normal e deixa de existir qualquer possibilidade de medir o mundo porque deixa de existir um qualquer paradigma e tudo passa a ser anomalia.

A Curva de Gauss
Neste caso concreto de Bojana, estamos a falar de uma anomalia genética, e não de um desvio comportamental. Mas nem por isso podemos dizer que a Bojana Danilovic é normal. Quando se trata de uma anomalia genética, a anormalidade não é necessariamente condenável porque não depende da vontade da pessoa que tem essa anomalia – por exemplo, Albert Einstein tinha uma malformação congénita no lóbulo cerebral esquerdo, e nem por isso deixou de ser uma pessoa consentânea com um comportamento normal.
Mas quando se trata de um comportamento anormal, este é quase sempre desviante. E não devemos tentar justificar os nossos comportamentos desviantes invocando uma qualquer putativa malformação congénita – seria como se o assassino dissesse ao juiz: “Eu não tenho culpa de ter assassinado uma pessoa: a culpa é dos meus genes”.














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