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Quarta-feira, 28 Agosto 2013

Não-localidade: o conceito que destrói o materialismo

Filed under: filosofia,Quântica — O. Braga @ 8:10 am
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Antes de mais, vamos ter que saber o que é “materialismo”: é uma teoria segundo a qual a matéria é a única realidade existente – sendo que matéria é tudo o que tem massa e está sujeito à acção do espaço-tempo. Para os herdeiros ideológicos de Darwin (Karl Marx, Freud, Lenine, Estaline, Richard Dawkins, Peter Singer, etc.), a matéria é a realidade fundamental a partir da qual se explica a vida espiritual.

Podemos definir “não-localidade” como a possibilidade de dois objectos – por exemplo, dois fotões, ou dois electrões – comunicarem entre si de forma instantânea (em termos de tempo universal) e independentemente da distância a que se encontrem um do outro.

A não-localidade não é ficção científica: experiências científicas realizadas desde o princípio da década de 1980 (por exemplo, por Alain Aspect) confirmaram o fenómeno. Portanto, é certo e seguro que, em determinadas condições especificas, dois objectos podem comunicar entre si, de forma simultânea – ou seja, fora do espaço-tempo – e a uma distância que pode ser, por exemplo, de várias dezenas de milhões de anos-luz. Diz-se, então, que a comunicação entre esses dois objectos é efectuada “fora do cone-de-luz”.

A maioria da literatura generalista acerca da Física não menciona a não-localidade. O assunto continua a ser tabu, apesar das verificações e confirmações. E é tabu porque a não-localidade coloca em causa o materialismo – ou seja, coloca em causa o fundamento da Idade Moderna e do Positivismo.

A não-localidade significa que a realidade não se limita ao espaço-tempo; e isto coloca em causa toda a filosofia moderna desde Kant. Por exemplo, se o nosso cérebro é composto de electrões, então o nosso cérebro está também sujeito às mesmas leis que regem a não-localidade. O materialismo está morto.

8 comentários »

  1. Essa não-localidade, se está fora do espaço-tempo, pode ser uma hipótese para o Déjà vu ou ela está restrita a dois corpos de facto distintos?

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    Comentar por Vital — Quinta-feira, 29 Agosto 2013 @ 4:18 am | Responder

    • Essa é uma muito boa pergunta.

      Do ponto de vista da Física, a não-localidade aplica-se à interacção fora do cone-de-luz entre dois objectos, ou, com mais rigor, entre duas ou mais partículas elementares (por exemplo, dois electrões) ou mesmo entre dois átomos. Até aqui falamos de ciência.

      Agora falamos de filosofia, e não de ciência propriamente dita.

      O conceito de déjà-vu pode ter duas interpretações diferentes:

      1/ou a interpretação segundo a teoria da reencarnação (o déjà-vu segundo uma reencarnação pretérita),

      2/ ou a interpretação da filosofia quântica que tenta explicar, por exemplo, a ubiquidade de alguns seres humanos (por exemplo, o Padre Pio de Pietrelcina, ou a ubiquidade de Santo António de Lisboa); ou as chamadas “viagens astrais” mais ou menos conscientes que alegadamente permitem o déjà-vu.

      No segundo caso, falamos mais de hologramas quânticos do que de não-localidade propriamente dita. Porém, trata-se de um holograma materializado (composto de matéria sujeita à entropia da gravidade), e não de um holograma de projecção de partículas elementares.

      No primeiro caso, estamos a falar de recordações difusas, de fragmentos impressivos de uma memória não completamente truncada pelo acto de renascer.

      Podemos dizer, em contraponto e por exemplo, que a transmissão de pensamento é um fenómeno decorrente da não-localidade. Essa transmissão de pensamento pode operar-se entre duas consciências materializadas, mesmo a longa distância, ou entre uma consciência espiritual e uma consciência materializada.

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      Comentar por O. Braga — Quinta-feira, 29 Agosto 2013 @ 5:24 am | Responder

  2. Estimado Braga,

    Nossos sentidos: audição, visão, ofato, paladar e tato são usados para verificar a realidade que experimentamos. Essa realidade é descrita então por sinais elétricos dos neurônios e entendendo estes sinais, como elétrons comunicando entre si de forma instantânea, ou seja, um fenômeno não local e portando fora do cone de luz.

    Por isso que você conclui que a realidade não está limitada aos parâmetros dinâmicos como tempo e espaço, ou seja, apesar da matéria estar sujeita a ação de espaço-tempo os fenômenos devido as interações dos elétrons de nosso cérebro podem ser descritos fora do espaço-tempo e portando fora do cone de luz ?

    1- Os fenômenos não locais seriam aqueles que não estão ou não se limitam em ser descritos apenas por parâmetros dinâmicos como espaço e tempo, ou seja, podem ser descritos fora do cone de luz?

    2- A realidade que experimentamos pode ser vista ou entendida como o plano imanente (a matéria) e pode ela também ser influenciada(em termos de tempo universal) pelo plano transcendente ?

    3- Uma vez que a matéria sujeita a ações no espaço-tempo, ou seja, dentro do cone de luz, deve ser usada para construir ou verificar a realidade e que por sua vez a realidade não se limita ao espaço-tempo, então o materialismo está morto devido a sua definição?

    Abraços.

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    Comentar por George Valadares — Quinta-feira, 29 Agosto 2013 @ 6:19 am | Responder

    • 1/

      Os nossos sentidos não “verificam” propriamente a realidade que experimentamos; ou seja, o termo “verificar” não é adequado. As informações provenientes dos órgãos dos sentidos são “transmitidas” (“transmitir”, e não “verificar”) ao cérebro humano onde se encontram cerca de 15 mil milhões de células nervosas: os neurónios. Os neurónios interpretam essas informações.

      “O cérebro humano consta aproximadamente de 15 biliões de neurónios e o número de interconexões entre eles é superior ao das partículas atómicas que constituem o universo inteiro”.

      Richard Thompson (”Introduccion à la psicologia fisiológica”, Harla, México, 1975).

      Os neurónios de um só ser humano médio estão ligados entre si através de cerca de 10^15 (1 seguido de 15 zeros) pontos de transmissão, a que chamamos de “sinapses”. Seriam precisos mais de 30 milhões de anos, se quiséssemos registá-las à velocidade de uma sinapse por segundo.

      Se quiséssemos testar os estados possíveis de apenas 130 neurónios de um ser humano, necessitaríamos de um computador gigante que, para tal efeito, precisaria de 20 mil milhões de anos!!! E se quiséssemos testar todos os neurónios do cérebro humano, o número de operações necessário perder-se-ia no infinito.

      Em função do supracitado, uma “sinapse” é um ponto de transmissão que existe no espaço-tempo, ou seja, dentro do cone-de-luz (porque é possível medir as sinapses).

      ***********************************************
      2/

      A não-localidade é conforme a definição do texto. Trata-se da comunicação simultânea (fora do tempo) entre dois objectos — por exemplo, o “spin” de duas partículas elementares — independentemente da distância que os separe (fora do espaço). Ou seja, através da não-localidade, o spin de um fotão pode mudar de sentido, e outro fotão situado, por exemplo, a 500 milhões de anos-luz, muda também no mesmo sentido: simultaneamente!

      Porém, uma partícula elementar ou um átomo podem “viajar” no universo em forma de onda quântica pura (ver no Google: “princípio da complementaridade”), o que significa que essa “viagem” também decorre fora do cone-de-luz. Esse átomo (“viajando” em forma de onda) pode estar aqui, agora, e no momento seguinte transformar-se em partícula a milhões de anos luz de distância.

      3/

      A imanência (aqui entendida “em relação à realidade humana”) não é só a matéria. Por exemplo, o tempo é imanente e não é matéria. Os axiomas da lógica são imanentes mas não são físicos. Os primeiros princípios são imanentes mas não têm massa.

      O grande problema para o ser humano é conceber a transcendência. Desde logo, há vários graus de transcendência, desde a que se “aproxima” mais da imanência (por exemplo, a realidade das ideias, de Platão), até à transcendência absoluta em que o espaço e o tempo estão absolutamente ausentes.

      4/

      O conceito de “matéria” é o conceito mais misterioso e indecifrável para a ciência. A ciência não sabe bem o que é “matéria”.

      Por isso, a ideia de “materialismo” é o maior disparate da História, porque se assume que se é uma coisa (materialista) que deriva de uma outra coisa que não se sabe o que é (matéria). Seria como se eu afirmasse que Y=X, e que X é indefinido. Ora, se X é indefinido, a equação Y=X não faz nenhum sentido.

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      Comentar por O. Braga — Quinta-feira, 29 Agosto 2013 @ 8:53 am | Responder

  3. Estimado Braga.

    Os tópicos 1 e 2 colocados por você, de fato, sanou minhas dívidas. Agora, os tópicos 3 e 4, acredito eu não tenha compreendido totalmente. Penso que se deve a minha falta de conhecimento do que é metafísica. Você não ficaria ofendido em indicar alguma obra literária de metafísica para um leigo do assunto como eu? Para mim, não é tão trivial distinguir o imanente do transcendente. Poderia me ajudar? Abraços.

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    Comentar por George Valadares — Sexta-feira, 30 Agosto 2013 @ 2:51 am | Responder

  4. Errata: Comentário por George Valadares — Sexta-feira, 30 Agosto 2013 @ 2:51 am.

    Onde está escrito dívida entenda dúvida.

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    Comentar por George Valadares — Sexta-feira, 30 Agosto 2013 @ 3:14 am | Responder

  5. A “comunicação” entre partículas entrelaçadas da quântica não consiste na troca de informação clássica, de bits entre estas partículas. Ou seja, não há troca de informações em velocidade instantânea ou maior que a velocidade da luz. A existência deste tipo de interação entre partículas é uma anomalia do paradigma materialista da física? Não me parece, da mesma forma que não é uma anomalia do paradigma da relatividade einsteniana. Mas supondo que se trata de anomalia real, não vejo razão para se acreditar que os físicos são tão cabeças dura, que pra tentar manter o paradigma, estejam fugindo do problema. A relatividade do espaço e do tempo, a dualidade onda partícula e a formulação de uma mecânica não determinística mostrou que os físicos estavam e estão dispostos a abandonar suas mais queridas idéias, mostrou também que não fogem do problema, por mais complexos que sejam. Não vejo razão para se pensar que grandes mentes da humanidade sejam tão estúpidos a ponto de abandonar a hipótese do não material simplesmente por preconceito ou pequenez intelectual. Anomalias são o que de mais precioso a natureza apresenta a um físico, simplesmente desconsiderá-las é um erro científico básico.

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    Comentar por Laerte Oliveira — Quinta-feira, 19 Outubro 2017 @ 6:53 pm | Responder

    • “Ou seja, não há troca de informações em velocidade instantânea ou maior que a velocidade da luz.”

      Antes de escrever, você deveria ler. Pessoas como você dão muito trabalho.

      Você deveria ler — por exemplo — o resultado da experiência de Alain Aspect antes de escrever asneiras.

      É claro que, na experiência de Alain Aspect, as partículas elementares (neste caso, são fotões) comunicam entre si a uma velocidade superior à da luz. ¿Entendeu?!

      Por outro lado, o físico alemão G Nimtz, da cidade de Colónia, em 1992 enviou informações através de um túnel e mediu a velocidade quatro vezes superior à velocidade da luz.

      Procure no Google : “G Nimtz quantum particles”. Leia também sobre este caso, antes de escrever merda!

      Estou aqui a perder tempo a explicar a um preguiçoso por que razão ele deveria ler antes de escrever. Você não sabe o que diz. Leia!: não seja burro! Deixei passar este comentário, mas você não comenta mais aqui.

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      Comentar por O. Braga — Quinta-feira, 19 Outubro 2017 @ 7:23 pm | Responder


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