perspectivas

Sexta-feira, 12 Julho 2013

Radicalização da política portuguesa está aí

Era inevitável, e há muitos meses que eu previa que a política do Vítor Louçã Rabaça Gaspar daria nisto. Em 18 de Outubro de 2012 escrevi aqui o seguinte:

O governo de Passos Coelho esgotou o seu propósito

Passos Coelho foi, desde o princípio, um primeiro-ministro de um governo destinado a cumprir um programa . Um programa é uma sequência de acções predeterminadas que funciona em certas circunstâncias que permitem o seu cumprimento. E se as circunstâncias externas ou internas não são favoráveis, o programa fracassa – que é exactamente o que aconteceu com o programa do governo de Passos Coelho.

Um programa cumpre-se mediante mecanismos automáticos; quem executa um programa não tem muito que pensar – e por isso é que nós assistimos a esta crueza e insensibilidade da parte de Passos Coelho e do seu ministro das finanças. Ambos estão a cumprir um programa que é por definição predeterminado, e não têm que pensar em estratégia.

Ao contrário do programa, a estratégia resulta da reflexão, tem em conta o imprevisto, eventuais situações adversas, e valoriza sempre a Informação que pode alterar o curso dos acontecimentos. Mas, para haver estratégia numa organização, esta não pode ser concebida ab initio para obedecer a um programa ou programação. Ou seja, por exemplo, quando se forma um grupo de trabalho para executar um determinado programa, seria uma estupidez que se exigisse desse grupo de trabalho a elaboração de qualquer estratégia.

Restaria a Passos Coelho adoptar uma estratégia; mas não o pode fazer, porque a noção de programa opõe-se à noção de estratégia. É praticamente impossível que um mero cumpridor de um programa, como é Passos Coelho, passe a ser um estratega, porque isso seria contraditório em termos.

Se nós já verificamos que o programa que Passos Coelho está a cumprir tem uma enorme probabilidade de não só não atingir os seus objectivos, mas também de fazer retroceder a nossa economia à idade da pedra, então teremos que concluir que o projecto do programa de Passos Coelho fracassou e tornou-se redundante e anacrónico. Passos Coelho deve ser demitido.

Em vez de um governo que apenas cumpre um programa, devemos ter um governo com estratégia.

Agora “é tarde e Inês é morta”, o mal está feito e Cavaco Silva faz parte do problema. Eleições, neste momento, significam uma nova versão light do PREC [Processo Revolucionário em Curso].

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