perspectivas

O relambório habitual sobre a necessidade da permanência de Portugal no Euro

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“As coisas valem aquilo que dão por elas.” Orlando Braga

As pessoas que defendem a permanência de Portugal no Euro têm apenas um e só um argumento, como segue:

“Na realidade se saíssemos do euro reduzíamos quase imediatamente o salário real de todos aqueles que recebem dinheiro dos impostos. Pensionistas, funcionários públicos e demais situações em que o estado se comprometeu com uma quantidade de euros para um trabalho que ainda se vai realizar.”

Ou seja, esta gente está alegadamente preocupada com os salários reais, mas não se preocupa minimamente com a economia real. E quando alguém se preocupa com a economia real, eles dizem que esse alguém é “nacionalista” e, por isso, retrógrado.

Dizem eles que os salários reais vão baixar com a saída do Euro, mas não dizem que os salários reais vão baixar se permanecermos no Euro (como estamos a ver com as políticas da Troika). Ou seja, os salários reais vão baixar, quer estejamos no Euro ou não.

A vantagem de sair do Euro é a de que a economia tende a crescer, enquanto que a permanência no Euro tende a estagnar a economia (como é absolutamente evidente!). E, com uma economia estagnada, não há como pagar a dívida. No entanto, essa gente diz que “se sairmos do Euro a dívida não diminui”, esquecendo-se de dizer que se permanecermos no Euro, a dívida é impagável (talvez por isso é que se pretende permanecer no Euro, à espera de um “milagre do protectorado” de perdão total da dívida. Podem esperar sentados).

Quem defende a permanência de Portugal no Euro são os Velhos do Restelo; são, de facto, aqueles que negam a lei do mercado.

São os que dizem que “as coisas não valem aquilo que o mercado dá por elas”, mas antes dizem que “as coisas valem aquilo que a Alemanha impõe ad Aeternum ao mercado”. São aquelas pessoas que confiam plena e eternamente na duração de uma espécie de império romano, não prevendo qualquer possibilidade de uma nova Idade Média. São as pessoas que estão acomodadas a um qualquer estatuto social, e que preferem o governo dos Filipes a qualquer risco que desafie o futuro.

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