perspectivas

Quarta-feira, 12 Junho 2013

A União Europeia, e Portugal em Estado de Natureza na Civilização

Explicar o que se está a passar hoje na União Europeia é muito difícil, se não mesmo impossível.

A União Europeia (leia-se, Bruxelas) e os países que a compõem representam uma total ausência de lógica de conjunto, ou seja, não existe uma coerência básica e primária entre a União Europeia e os países membros. Esta incoerência entre as partes e o Todo não seria estranha e/ou negativa se a União Europeia fosse uma simples confederação – mas que já não é: se não existisse o Euro e não existissem directrizes da União Europeia em forma de leis gerais para todos os países, a incoerência entre Bruxelas e os países membros até seria saudável enquanto sinal de diversidade.

O que não se compreende é que a União Europeia (Bruxelas) seja hegeliana e a maioria dos países membros seja rousseauniana ou jacobina; ou que Bruxelas seja de um utilitarismo Benthamiano ou, sendo optimista, de um utilitarismo Saint-simonista, por um lado, e por outro lado os países membros sejam de um utilitarismo Humeano e mesmo Marginalista. E fico sem saber como conciliar a faceta hegeliana da União Europeia de Bruxelas com o utilitarismo extremo que grassa.

Dá a sensação de que estamos em presença de um monstro incaracterístico, de uma forma disforme e sem ponta por onde se lhe pegue. Não é possível definir a União Europeia; e o seu conceito consiste no paradoxo de conceber um conceito sem a abstracção e sem a generalização a partir de factos e realidades concretos. A União Europeia parece ser um “conceito absoluto”, o que é uma abstracção sem aderência à realidade.


Portugal encontra-se hoje perto de um “estado de natureza”, segundo o conceito de Hegel. Mas em vez de reagir à ameaça – ameaça que existe contra a sociedade civil – através da repolitização dos homens privados despolitizados, e em reclassificar os homens desumanizados da populaça que constituem a nova “classe paradoxal” dos desclassificados sociais, Portugal subordina-se cada vez mais a um utilitarismo radical e jacobino, oriundo dos países do directório da União Europeia, que coloca o indivíduo acima do universal, ou seja, acima da sociedade civil. Em vez de recriamos os laços sociais destruídos por um estado de necessidade, entretemo-nos todos a destruir o que ainda resta.

Advém desta realidade uma profunda convicção: ou se institui em Portugal alguns mecanismos de democracia directa e se revê o método eleitoral, ou terá que haver um movimento nacional que suspenda a democracia. Eu prefiro a primeira solução, mas não vejo lura por onde saia o Coelho.

1 Comentário »

  1. Da forma como as coisas vão, Portugal pode tornar-se numa espécie de “laboratório experiencial” de certas engenharias sociais. Quer a despolitização do homem substituída por um utilitarismo auto-destrutivo, quer a destruição da moral em favor de um regresso ao «estado da natureza» são partes de um único fim. A religião única mundial que está a ser cozinhada em alguns bastidores de algumas lojas maçónicas.
    Aqui na Europa esta foi a forma engendrada, noutras partes do mundo, outras formas foram inventadas.
    É convicção minha que só poderá haver mecanismos de democracia directa quando esta democracia, cheia de vícios e subtilezas que não permitem que se lhe chame Democracia, for derrubada e instaurada a verdadeira Democracia, livre do pó abrilento e do covil de interesses dúbios da qual esta democracia enferma. Isto pode significar que terá de aparecer, mais uma vez na história portuguesa, um novo “ditador” que venha tal como o anterior sanear as contas e colocar ordem na desordem.
    Se tal cenário acontecer, espero que os portugueses tirem as devidas ilações, e não copiem o modelo do 25/04, outras vias são necessárias.

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    Comentar por emidiocrisostomo — Quinta-feira, 13 Junho 2013 @ 1:53 pm | Responder


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