perspectivas

Sábado, 8 Junho 2013

A Igreja Católica e Orígenes

Filed under: Igreja Católica — O. Braga @ 9:44 am
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No FaceBook, e relativo a este verbete meu, alguém escreveu o seguinte:

“Pré-existência da alma antes da encarnação? Não é o que defendia o Orígenes? Isso deu azo à má interpretação e faz com que ainda hoje os gnósticos acusem a Igreja de ter defendido a ideia da reencarnação no passado.

Católico de verdade aceita TODOS os dogmas da Igreja.”

Eis a minha resposta:

origenes-200-web.jpg

Em Alexandria, Orígenes viu-se numa situação singular: tinha que evangelizar os homens e as mulheres da cidade. Com os homens, ele não tinha problema nenhum, e a evangelização seguia de vento em popa. Mas Orígenes compreendeu que sem a evangelização das mulheres, e porque são elas que educam as crianças, a evangelização da cidade não teria sucesso.

Mas os homens da cidade não queriam que as suas mulheres fossem evangelizadas por um homem, por razões culturais. As mulheres sérias e honestas não podiam conviver com homens que não fossem seus maridos. E Orígenes viu-se num impasse.

E foi assim que, para poder evangelizar as mulheres de Alexandria, Orígenes se castrou. Depois de castrado, os homens de Alexandria já permitiram que Orígenes convivesse e evangelizasse as suas mulheres.

A Igreja Católica tem sido muito injusta com alguns homens da patrística, como por exemplo Orígenes.

O concilio de Niceia, presidido pessoalmente por Constantino, eliminou alguns conceitos religiosos da patrística, e a reencarnação foi eliminada pelo simples facto de a mulher de Constantino ter sido, antes de casar com ele, uma prostituta – e segundo a teoria da reencarnação, os pecados graves desta vida serão redimidos e pagos noutra vida. Ora, esta teoria era insuportável para a mulher de Constantino, que influenciou o seu marido no sentido de a eliminar. O que foi feito.

Orígenes não foi um gnóstico. Um gnóstico da Antiguidade Tardia tinha a seguintes características: A gnose (ou gnosticismo) é uma qualquer doutrina metafísica de salvação religiosa por intermédio do conhecimento intelectual, e por isso sem o dom directo da Graça Divina.” Só quem não faz a mínima ideia de quem foi Orígenes, ou por má-fé, pode dizer que ele foi um gnóstico cristão.

Ser católico não é, por exemplo, aceitar o dogma que impôs a Inquisição. Isso não é ser católico. Ser católico não é condenar Orígenes por causa de uma linha ideológica que surgiu porque uma imperatriz tinha sido prostituta.

1 Comentário »


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