perspectivas

Segunda-feira, 3 Junho 2013

O que João César das Neves não diz: a constituição do Euro, em si mesma, foi um roubo

Se eu vender a Torre dos Clérigos a um mentecapto, mesmo tratando-se de um contrato assinado, não estarei a roubá-lo? Nem todos o contratos são honestos e éticos, mas João César das Neves considera que os contratos leoninos, quando celebrados pela Alemanha, são sempre honestos:

“A União Europeia trouxe novos cambiantes ao processo, permitindo viver de dinheiro longínquo. É incrível que tantas pessoas se sintam com direito à riqueza de regiões que nunca viram nem conheceram. Se o capital nacional fosse para longe, ficariam horrorizadas, mas acham normal exigir uma parte da fartura alemã.”

Das duas, uma: ou João César das Neves considera que a classe política portuguesa, que negociou a entrada de Portugal no Euro (incluindo economistas ilustres, como por exemplo, Cavaco Silva), é toda burra, crédula e “foi comida de cebolada”; ou então quem ganhou (até agora!) com esta confusão toda – a Alemanha – não foi propriamente honesto. No meio desta confusão toda, ficamos sem saber quem é “o amigo do alheio”. Seria mais decente, da parte de João César das Neves, dizer que, nesta União Europeia do Euro, anda meio mundo a tentar roubar o outro meio. Esta União Europeia do Euro é uma roubalheira desatada e pegada.

Mas o que o João César das Neves não tem o direito de dizer – como tem dito, de uma forma sistemática, secundada por exemplo pela historiadora Fátima Bonifácio – é que “a culpa é do povo português”. Não foi o povo que deu as ordens, que tomou decisões, e que nos meteu na merda em que nos encontramos.

João César das Neves diz que a despesa pública portuguesa chegou em 2010 a 50% do PIB e já diminuiu para 45%. Mas ele não diz qual é a percentagem do PIB alemão afectada à despesa pública. E porquê? Porque João César das Neves adora fazer do povo português uma quantidade anónima e anódina de burros. Para João César das Neves (como acontece também com a Fátima Bonifácio) , chamar de “burro” ao povo português enche-lhe o Ego: na ausência de melhor, sempre se consola com a pesporrência característica de um idiota.

Reparem bem na lógica do “bicho”:

“Um médico de um grande hospital, mesmo privado, receita exames e tratamentos que omitiria se ele ou o doente tivessem de pagar a conta. Em certos casos essa facilidade torna-se uma verdadeira toxidependência.”

Este raciocínio levado ao limite não é só absurdo, mas é até perigoso: “um pobre não tem direito a tratamento de uma doença grave”. Em tese, segundo João César das Neves, um pobre deve morrer de uma doença que pode ser curável, porque não tem dinheiro para pagar a conta; e parte do princípio de que um médico manda fazer exames a um pobre porque não tem mais nada para fazer. Idiota chapado!

Uma coisa é defender os excessos do Estado (como faz a esquerda); outra coisa, semelhante, é pensar como o João César das Neves. Tanto uma como a outra são manifestações de irracionalidade.

Adenda: como “católico” assumido, João César das Neves não se esqueça de confessar ao Padre as suas idiotices. Com “católicos” destes, quem precisa dos Rockefellers?

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