perspectivas

Quarta-feira, 1 Maio 2013

O darwinismo e a memória humana

Filed under: filosofia — O. Braga @ 9:01 am
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Embora invoque uma determinada teoria que pretende ser científica (o darwinismo, ou a síntese darwinista), e que só é teoria científica é porque é absolutamente refutável, este texto é menos científico do que filosófico:

“Quando falamos de cérebro temos de especificar se se trata de todo o cérebro ou apenas do córtex cerebral, pois há toda outra parte do cérebro, a parte mais antiga (sob o ponto de vista de desenvolvimento das espécies) que é a parte mais intimamente ligada com as emoções”.

Hoje, não é possível pretender afirmar uma verdade científica sem mentir.

1/ O texto, que pretende ser filosófico, fala-nos da importância da memória na aprendizagem, mas de uma forma que nos induz a ideia de que não existe epistemologia sobre o assunto em causa, para além dos últimos 50 anos. Porém, Aristóteles já falava na importância do “hábito” na educação dos infantes, e por toda a Idade Média e na Escolástica perpassou a ideia de habitus, desde S. Anselmo a S. Boaventura e a S. Tomás de Aquino (só para falar de alguns). Entre outras coisas, o habitus significava a educação pela repetição e memorização; por exemplo, na Idade Média era normal que os educandos lessem os textos em voz alta, para que assim memorizassem melhor e mais rapidamente.

Porém, com o advento do Positivismo, aconteceu na Europa um corte epistemológico radical, e todas essas práticas e teorias educativas milenares foram progressivamente atiradas para o baú do obscurantismo, porque se partiu do princípio idiota segundo o qual tudo que se relacionasse, directa ou indirectamente, com a metafísica, deveria ser erradicado da memória histórica e epistemológica – e como se o Positivismo não fosse, ele próprio, uma metafísica!. Com o pós-modernismo, tudo o que fosse anti-cultura passou a ser oficialmente adoptado.

2/ O trecho citado acima parte do princípio segundo o qual “a parte mais antiga” do cérebro humano é uma espécie de “precursor físico” que demonstra que o homem é uma espécie de macaco transformado por mutações aleatórias e por pequenos passos evolutivos, através da selecção natural darwinista. Naturalmente que se trata de uma estória, de uma narrativa que não explica como é que o cérebro do homem e do macaco têm um ancestral comum. A ciência é, assim, entregue à imaginação de uma plêiade de iluminados que transforma um simples postulado em um paradigma que molda toda a cultura intelectual e antropológica.

Seria como se alguém perguntasse a quem escreveu aquele texto (*):

“Como se faz uma aparelhagem de som estereofónica?” E a resposta viesse breve e sem hesitação:

“Fácil! Ligamos um conjunto de colunas a um amplificador, acrescentamos um leitor de CD’s, um receptor de rádio e um leitor de cassetes. E pronto!, temos a aparelhagem feita e explicada! Como se vê, só um burro criacionista como você não percebe isto! Veja lá se derrete o alcatrão que tem no cocoruto do seu cérebro, e faça um esforço para aprender alguma coisa!”

E pronto, o cientista darwinista explica assim como se faz uma aparelhagem estereofónica; e baseando-se na sua autoridade, toda a gente politicamente correcta e “inteligente” segue essa estória. Trata-se de uma religião que afirma que os outros – os cépticos do darwinismo – é que são os religiosos.

3/ Outro argumento implícito no texto – porque o darwinismo está sempre implícito em qualquer narrativa “científica” – é o de que a parte mais antiga do cérebro humano desenvolveu-se de outras espécies devido a uma certa constituição comum de ADN entre essas diversas espécies.

Mais uma vez está aqui patente a ideia de “precursor físico”: seria como se alguém dissesse, por analogia, que um computador portátil actual tivesse evoluído de um antepassado comum através de pequenos passos aleatórios e mediante a selecção natural.

Porém, dois manuais de instruções de dois computadores de modelos diferentes (ou, por analogia, a estrutura comum de dois tipos diferentes de ADN), produzidos pela mesma companhia, podem ter muitas palavras iguais, frases, e até parágrafos, sugerindo um antepassado comum – talvez o mesmo autor tenha redigido os dois manuais. Mas comparando as sequências de letras nos manuais de instruções, nunca nos revelará se um computador pode ser gradualmente engendrado a partir de uma máquina de escrever (*).

4/ o que parece ser certo é que um paradigma intrinsecamente falso – a evolução mediante pequenos passos, a partir de um ancestral comum segundo mutações aleatórias, e por selecção natural – se tornou numa verdade absoluta, e a tal ponto que essa mentira está implícita em qualquer afirmação de carácter científico. Hoje, não é possível pretender afirmar uma verdade científica sem mentir.

(*) citações de Michael Behe, “A Caixa Negra de Darwin”.

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