“Consciente dos malefícios do seu estado social, a Dinamarca está já a promover reformas que, provavelmente, impedirão a implosão do país. Em Portugal, mesmo depois de termos estoirado, continuamos sem conseguir compreender as razões que nos levaram à situação em que nos encontramos, nem tão pouco somos capazes de enfrentar as reformas necessárias para voltarmos a ser um país decente.”
Que se diga que a esquerda pretende (se pudesse) transformar Portugal numa espécie de Dinamarca, concordo. Que se diga que Portugal tem um Estado Social comparável ao espanhol, só um psicótico o diria. E se não tem comparação com o Estado Social espanhol, muito menos tem com o congénere inglês, francês e alemão; e ainda muito menos ainda com o dinamarquês, sueco ou norueguês.
Se há tiques do Estado Social nórdicos em Portugal? É claro que sim. Por exemplo, as reformas antecipadas. Mas a concessão errónea de reformas antecipadas não pode justificar a punição das pessoas que se reformaram na idade certa e legal: não é defensável que em nome do combate à anomalia se puna o normal — que é o que Passos Coelho pretende fazer.
Outro tique do Estado Social nórdico é, por exemplo, o aborto grátis. Por que carga de água o Estado (o contribuinte) tem que pagar as “cambalhotas” irresponsáveis de alguns cidadãos?
Outra coisa, bem diferente, é por exemplo o apoio do Estado aos idosos doentes; ou a preferência do Estado (em benefícios fiscais) em relação aos casais efectivamente casados e com filhos, em detrimento da actual preferência do Estado em relação aos solteiros. Quando Estado apoia os desempregados que contribuíram previamente para a SS (Segurança Social), não é um Estado Social, mas antes é um Estado Decente.
(*) A bovinotecnia é a arte de tratar do “gado” de uma forma tal que se consiga fazer crer aos “bovinos” que serão livres se abandonarem o seu estatuto de bovinidade.