“Apesar de terem tido uma evolução positiva nos últimos anos, os rácios da solvabilidade dos bancos portugueses não deixam dormir em paz quem lá tenha dinheiro depositado. Pois António José Seguro, substituindo-se às competências próprias do Banco de Portugal, propõe injectar dinheiro na economia diminuindo-os ainda mais, ou seja, deixando os seus cofres praticamente vazios. É este o homem que nos pede uma maioria absoluta para governar o país. Todo o cuidado é pouco. Preparem-se.”
Eu sou insuspeito porque classifico António José Seguro ao nível de Passos Coelho. Pertencem os dois às juventudes partidárias. Posto isto, vamos àquilo.
1/ António José Seguro poderia injectar mais dinheiro na economia gastando mais em alguma despesa pública. Mas para isso terá que cortar noutra despesa pública, para não correr o risco de aumentar o défice público.
2/ injectar mais dinheiro na economia não significa necessariamente menor liquidez dos depósitos bancários. Basta que a taxa de juro directriz do Banco emissor aumente um pouco, e que se reinstalem os Certificados de Aforro que José Sócrates eliminou, para que se restabeleça um equilíbrio entre os depósitos bancários, por um lado, e por outro lado o aumento de liquidez em um determinado sector da economia, em relação ao qual o quantitative easing pretende beneficiar. O problema é que nós não podemos mexer na taxa de juro por estarmos no Euro (essa prerrogativa pertence ao BCE [Banco Central Europeu]) e aos alemães.
3/ portanto, enquanto estivermos no Euro, qualquer política de injecção de liquidez na nossa economia terá que ser previamente sancionada pela potência colonial, isto é, pela Alemanha, que por sua vez dará as suas ordens e instruções compensatórias ao BCE [Banco Central Europeu] nesse sentido. Portugal, na sua condição de colónia, não pode, com Passos Coelho ou com António José Seguro, alterar a situação, porque ambos são régulos coloniais ao serviço da potência colonial alemã.