Bento XVI foi duramente criticado pelo politicamente correcto e pelos me®dia por ter feito aquele célebre discurso na universidade de Regensburg, e em que citou o imperador bizantino Manuel II Paleólogo acerca do Islamismo:
“Mostra-me também o que trouxe de novo Maomé, e encontrarás apenas coisas más e desumanas tais como a sua norma de propagar, através da espada, a fé que pregava”.
Mas o Papa Francisco I fez um discurso no quarto Domingo depois da Páscoa que não só ninguém criticou, mas que provavelmente cairá muito bem na esquerda, no politicamente correcto e nos me®dia: o Papa criticou os judeus.
“Simplesmente porque a comunidade judaica tinha o coração fechado e não se abriu à novidade do Espírito Santo. Acreditaram que já tudo havia sido dito e tudo pensado como deveria ser, e julgaram-se os defensores da fé e começaram a falar contra os apóstolos, e a ridicularizá-los…”
Para além da crítica ao Judaísmo (este Papa ainda vai receber o Nobel da paz), o Papa joga aqui com metáforas e alegorias: os “judeus” são aqueles que criticam os apóstolos, ou os que criticcam os eleitos e predestinados. E o chefe dos apóstolos é ele próprio, Francisco I. E os judeus são aqueles católicos Hílicos, que não se abrem à novidade e que se julgam defensores da fé, e que por isso estão predestinados a não ser salvos — porque o único defensor da fé é ele, predestinado à salvação, Pneumático eleito, e os pneumáticos que se lhe submetem e se calam.
E o Pneumático Francisco I continua:
“E os judeus dirigiram-se então às mulheres, pias, e que não tinham qualquer poder. E encheram-lhe as cabeças com ideias e com coisas, e incentivaram-nas a falar como os seus maridos para que estes se virassem contra os apóstolos. Esta atitude é também a de todos os outros grupos na História, os grupos fechados à novidade que negoceiam com os poderosos, resolvem problemas mas só entre eles.”
Desde logo, a diferença de densidade entre o discurso de Bento XVI e o deste Papa é abismal. Os discursos de Francisco I parecem os de um pároco de uma pequena aldeia remota de Portugal. E depois, as mulheres eram pias e os judeus maus; o que significa que as mulheres dos judeus aparentemente não era judias.
Alguém deveria dizer a este Papa uma coisa muito simples: “ter apenas uma ‘mente aberta’ é nada. O objectivo de abrir a mente, como o de abrir a boca, é o de tornar a fechá-la face a algo sólido.” (G. K. Chesterton). E das duas, uma: ou o Papa ainda não encontrou algo sólido, ou se encontrou que feche a boca.
Se há uma coisa que não sou é hipócrita. Tenho muitos defeitos mas esse não tenho. E parece-me que há algo de muito estranho neste Papa — algo que não é ainda suficientemente sólido para que me impeça que feche a boca. De resto, por exemplo, Robert Greathead foi excomungado pelo Papa Inocêncio IV por ter sido criticado por aquele, mas a verdade é que hoje ninguém fala no Papa e Greathead é considerado um dos expoentes máximos da Escolástica medieval.