“Todos os fanatismos e radicalismos são negativos, mas alguns parecem ter uma estranha protecção mediática.”
Em certos casos, mais vale ser fanático e radical do que estúpido.
Esta proposição não é necessariamente verdadeira, porque em vez de se dizer “alguns fanatismos e radicalismos”, ou mesmo “a maioria dos fanatismos e radicalismos são negativos”, diz-se que “todos” são negativos.
Por exemplo, Sócrates (o grego! nada de confusões!) foi um radical na medida em que não cedeu à vontade dos Trinta Tiranos; e pela sua coerência radical e fanática pagou com a vida. Terá sido Sócrates racional ou irracional? Em minha opinião, Sócrates foi “racionalmente radical” contra o “radicalismo irracional” dos Trinta Tiranos.
Em certos casos, a razão — ou a defesa da Razão — pode ser sinónimo de radicalismo e fanatismo. Se eu digo, por exemplo, que 1 +1 = 2, e demonstro que essa minha proposição é verdadeira (no sentido de verdade científica), e verifico e confirmo a verdade dessa minha proposição, e mesmo que 99,99% das pessoas não concorde com ela e diga que eu sou um radical e um fanático, eu tenho o direito e até o dever de ser um fanático e um radical na defesa dessa proposição, e tentar sempre demonstrar a sua veracidade (por exemplo, Galileu).
Neste sentido, Jesus Cristo foi um radical e um fanático quando expulsou os vendilhões do templo. O Mahatma Gandhi — segundo a opinião do Establishment inglês da sua época — foi outro radical e fanático, quando levou centenas de milhares de indianos ao mar para colher sal.
Portanto, nem todos os radicalismos e fanatismos são negativos. O que faz com que um fanatismo e/ou um radicalismo seja negativo é a sua irracionalidade. Em certos casos, mais vale ser fanático e radical do que estúpido.