perspectivas

Sexta-feira, 12 Abril 2013

José Saramago segundo Fernando Pessoa

Filed under: cultura,Ut Edita — O. Braga @ 10:55 am
Tags: , , ,

Passado algum tempo depois da morte de José Saramago, e se olharmos ao que se publica nos blogues e na comunicação social acerca dele e da sua obra, resta pouco. Não tarda nada, cai no esquecimento. E a razão para esse esquecimento é a de que, apesar do Nobel da literatura, Saramago foi aquilo a que Fernando Pessoa chamou de “um génio do seu tempo”, que não é propriamente génio, mas antes “talento sem espírito”:

“O espírito divide-se em três tipos — espírito propriamente dito, raciocínio e crítica; o talento em dois tipos — capacidade construtiva e capacidade filosófica; o génio é de um só tipo — originalidade.” — Fernando Pessoa, “Erostratus”

Tem mais génio e espírito Mia Couto, por exemplo, que nunca recebeu um prémio literário português nem é Nobel, do que José Saramago.

jose samago vintage 221 webNa década de 1980 comprei e li o livro de Saramago “Viagem a Portugal”. Ali havia talento, mas não génio nem espírito. O talento de José Saramago residia na sua capacidade construtiva e menos na capacidade filosófica que era sofrível; o seu conteúdo não era original, porque era, no fundo, uma narrativa descritiva das viagens de José Saramago em Portugal, e porque o estilo da escrita não era original porque emulava, de certa forma, os escritores realistas portugueses. Ali havia talento na construção mas não no raciocínio, e havia a “vontade firme de um pedante” (Fernando Pessoa).

Na obra de Saramago da década 1990 não há propriamente originalidade. A única obra de facto com algum vislumbre de originalidade ideológico é o “Ensaio sobre a Cegueira” — porque a ideia da “Jangada de Pedra” não é nova e remonta aos iberistas do século XIX —, mas o estilo propriamente dito não tem nada de original e positivo. Quando Saramago elimina a pontuação, não se trata de originalidade de estilo — porque a originalidade obedece a regras básicas de racionalidade e de respeito pela língua — mas de pedantismo ditado por uma firme vontade.

Tem mais génio e espírito Mia Couto, por exemplo, que nunca recebeu um prémio literário português nem é Nobel, do que José Saramago.

1 Comentário »

  1. Não li o livro, mas assisti ao filme “Ensaio Sobre a Cegueira”.

    Lixo completo e absoluto. Desprovido até mesmo de um nível básico de valor de entretenimento. Parece que alguns círculos artísticos decidiram que a miséria, no nível de atrocidade, era uma parte vital da experiência humana e que de alguma forma enriquece-nos como indivíduos. Daí a versão do livro recebendo um Nobel e sendo referida como “a obra mais importante do século vinte”, quando sua natureza exploradora e condescendente deveria ser tomada como mais uma prova do desejo de olhar naval de alguns para cooptar a miséria.

    E para completar a miséria, ainda fizeram-me ver a cena do bumbum murcho da Juliane Moore!

    Gostar

    Comentar por Denis Camursa — Segunda-feira, 22 Fevereiro 2021 @ 1:44 am | Responder


RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

AVISO: os comentários escritos segundo o AO serão corrigidos para português.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: