perspectivas

Sábado, 6 Abril 2013

O Laicismo, a metafísica de Estado

Um tribunal superior da Holanda validou a existência legal de uma associação que defende a pedofilia, ou seja, defende os putativos “direitos” dos pedófilos a ter relações sexuais “consentidas” com crianças. Parte-se assim do princípio segundo o qual uma criança de seis ou sete anos pode “consentir” ter relações sexuais com um adulto — princípio esse que o tribunal holandês sancionou.

En un controvertido fallo, un tribunal de apelaciones en Holanda validó la existencia de una asociación de pedófilos, que en primera instancia había sido disuelta el año pasado, por considerar que no constituye “una amenaza a la desintegración de la sociedad”.

via Un tribunal holandés avala la existencia de una asociación de pedófilos – ReL.


Uma extensão indefinida dos “direitos do homem” tornou-se a religião de Estado, uma religião oficial que se impõe, hoje, repressiva e coercivamente a toda a sociedade civil com uma amplitude inédita. O integrismo laico e o salafismo gay são instrumentos de uma ambição demiúrgica da Esquerda — apoiada incondicionalmente pela maçonaria —, a que se junta o aborto e a pedofilia considerados como “direitos humanos”.

Mais do que “politicamente correcto”, devemos hoje falar em “religiosamente correcto”, porque o Estado funciona já como uma igreja dogmática (e gnóstica) apostada em restringir a liberdade de pensamento.

Assim, o Estado colocado ao serviço de uma crença religiosa laicista, não respeita a separação do político e do religioso, uma vez que o político e o religioso coexistem sobrepostos no Estado.

O laicismo liquida a laicidade que era, até há pouco tempo, a distinção entre o profano e o sagrado; a laicidade que era uma característica cristã da mundividência dos dois reinos, o temporal e o espiritual. Hoje, o novo gnosticismo de Estado transformou o laicismo em um dogma religioso onde não existe separação entre o temporal e o espiritual.

Resulta deste fenómeno de dogmatismo religioso, uma metafísica de Estado, uma religião da Humanidade construída sobre o reino da imanência, que faz dos “direitos humanos” uma política em si mesma. Resulta desse deísmo humano um direito penal religioso e uma sacerdotisa judicial que sanciona a desobediência em relação a qualquer tabu ético ou moral herdado do passado.

2 comentários »

  1. Primeiramente: parabéns pelo blog, o conheci há alguns dias. Farei algumas perguntas.

    O senhor acha que existe retorno, para países como a Holanda ? Ou chegou a tal ponto que, a destruição ou islamização já é uma sentença condenatória ?

    A dissolução do caráter cristão da sociedade Européia, promovida pela Maçonaria, é um fato inegável, mas, não sei se é impressão minha, não vejo o mesmo empenho com relação ao islã; daí surgem duvidas: o islã está sendo usado para desconstruir o caráter cristão da Europa ? Se a resposta for afirmativa; na opinião do senhor, não estaria a Maçonaria correndo grande risco estratégico de perder a batalha para o islã, principalmente no que tange a demografia ? E a ultima pergunta, você acredita que o modo de vida islâmico é passível de desconstrução como fora feito na Europa ?

    Adendo: se puder indicar alguma bibliografia do tema. Ficarei muito grato e obrigado

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    Comentar por Fernando Ferraresi Generoso — Domingo, 7 Abril 2013 @ 1:26 am | Responder

    • Eu penso que, por enquanto, ainda existe em países como a Holanda ou a Bélgica, ou nos países escandinavos, alguma cultura intelectual que restou do ensino universitário da década de 1960, 1970 e até de 1980. Mas a partir da década de 1990, as universidades desses países concentraram-se na Técnica, e desvalorizaram as áreas de Humanidades e mesmo a ciência. Isto significa que as gerações vindouras não terão a mesma preparação intelectual das gerações passadas, o que será sinónimo da ascensão ao Poder político de uma nova barbárie.

      Ainda existe, porém, um intercâmbio desses países com universidades francesas ou italianas, onde de facto ainda se produz ciência e pensamento filosófico — mas mesmo a França e a Itália têm vindo a ser influenciadas pela cultura niilista vinda do norte da Europa. Ou existe uma cisão política na União Europeia que “separe as águas” entre as culturas do norte da Europa e as culturas do resto da Europa, ou todo o continente sofrerá uma decadência generalizada.

      Os países do norte da Europa colocam o dinheiro acima da cultura (seja esta intelectual, seja antropológica), por um lado, e por outro lado colocam a Técnica acima da ciência (tal como os chineses, luxuriantes, desenvolviam a técnica, na mesma época em que os antigos gregos, austeros, inventavam a ciência). O que tem valido, até agora, aos países do norte da Europa é a imigração de gente dos países do sul da Europa; mas essa imigração depende da manutenção do actual sistema da União Europeia que acabará por minar destruir toda a cultura ainda saudável em todo o continente europeu.

      Por exemplo, a Bélgica produziu na década de 1970 filósofos do calibre de Michel Meyer — mas hoje esse país não produz quase nada na área das Humanidades. Em ciência, o que se produz e se inova na Europa de hoje vem de países do sul e do leste, como a França, a Itália, Polónia, e até de Espanha e Portugal. Do ponto de vista estritamente científico, e apesar de um maior investimento na área da ciência, países como a Bélgica, Holanda ou a Dinamarca estagnaram — porque a produção em ciência depende muito não só de dinheiro do Estado, mas também da cultura intelectual e antropológica de um povo.

      Em relação ao Islão na Europa:

      O Islão foi utilizado como um instrumento político do laicismo, no seguinte sentido: uma vez que era necessário remeter o Cristianismo para estrita vida privada do cidadão (nos Estados Unidos, John Rawls defendeu uma coisa muito semelhante), retirando os seus símbolos da praça pública, a tolerância maçónica e esquerdista em relação ao Islão serviu os interesses políticos dessa privatização absoluta do Cristianismo. Justificando a necessidade de proibir a Burka, o politicamente correcto passou também a proibir a cruz de Cristo servindo-se do argumento da igualdade de tratamento.

      Portanto, a massiva imigração islâmica começou por ser uma política de De Gaulle resultante da herança histórica colonial, mas a partir da década de 1970 essa imigração passou a assumir outro significado: a relativização do Cristianismo na cultura endógena europeia. E a demonstração dessa nova política anti-cristã foi feita no Tratado de Lisboa (da União Europeia) de 2007, onde a elite política da União Europeia recusou qualquer referência ao Cristianismo na nova Constituição da União Europeia.

      Em suma, sendo o Islão uma forma de combater a cultura cristã na União Europeia, falta saber se o feitiço não se virará contra o feiticeiro: da maneira que os muçulmanos imigrantes se reproduzem, ou teremos no futuro um novo horror de um Heimkehr à moda de Hitler, ou teremos um Direito Positivo europeu influenciado pela Sharia (lei islâmica).

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      Comentar por O. Braga — Domingo, 7 Abril 2013 @ 9:03 am | Responder


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