perspectivas

Um exemplo de humanismo pagão politicamente correcto

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“Educado por uma tribo de padres e ateus ecuménicos, capazes de se porem de acordo sobre princípios éticos que jamais precisaram de adjectivar, nunca vi a Fé ou a sua ausência como fronteiras entre as pessoas. Filho de Deus e do Homem ou apenas do segundo, lembramos hoje a morte de alguém que nos disse para amar o Outro como a nós mesmos.

E alguns responderão que ultrapassaram a meta estabelecida – amaram filhos, netos, pais, avós, amigos ou amantes mais do que a si mesmos. Não o nego. A minha profissão é escutar, certas histórias de vida desconhecem palavras como egoísmo, ressentimento, vingança, sobranceria. Mas como Humanidade, herdeira no seu todo de tão magnífico sonho, esquivo por alheio à nossa natureza, em que as sombras pedem meças à luz, não estivemos à altura de tão grande Paixão.

Bom seria que não nos refugiássemos na auto-piedade estática do remorso ou na indiferença cómoda de quem não acredita. Olhemos em volta. Para tentar mudar um cisco deste mundo, mecanicamente selvagem mas com donos de carne e osso, que tritura os mais fracos para “os proteger”, não é preciso acreditar em Deus – basta crer que ainda somos capazes da mais elementar decência solidária.” — Boa Páscoa, gente.

O humanismo — para muitos idiotas do Renascimento, do Iluminismo e actuais — é o retorno acrítico aos templos clássicos e à cultura grega, mesmo sabendo que Aristóteles defendeu abertamente o infanticídio (o assassínio de crianças já nascidas). O humanismo — no sentido adoptado por esses idiotas que pensam uma moral sem Deus —, para além de ser um anacronismo, é um retorno à barbárie. O humanismo pagão é sinónimo de barbárie.

O curandeiro gayzista da RDP

De Aristóteles e dos seus contemporâneos devemos retirar aquilo que é bom e positivo — e foi isso que a Igreja Católica fez durante a Idade Média e com a Escolástica —, mas os idiotas pensam que humanismo é a transcrição literal para actualidade dos fundamentos de uma cultura de uma sociedade de deuses antropomórficos. Julgam, esses idiotas, que sem o Deus da Bíblia é possível a aceitação social — anterior aos princípio do interesse próprio — dos valores fundamentais de uma ética que devem ser, por definição, universais (o que não significa que sejam unânimes), intemporais, racionalmente fundamentos e facilmente distinguíveis nos seus aspectos fundamentais.

O teórico ateu americano J. L. Mackie defendeu a ideia segundo a qual a validade de uma moral universal (uma moral para toda a sociedade) deveria idealmente impor-se através da hipótese da existência de um Deus que, dispondo do conhecimento sobre a hierarquia de valores que o ser humano não tem, pudesse ajudar o ser humano a distinguir a hierarquia dos valores e assim adoptar um modo de vida “mais útil” para si próprio. Segundo o ateu Mackie, Deus não seria nenhum tirano que exigisse do ser humano comportamentos absurdos, mas apenas exigiria deste apenas o que seria efectivamente melhor para ele. Mackie estava, de facto, preocupado com a restrição racional do princípio do interesse próprio, mas como ele não acreditava em Deus, e apesar da sua razoabilidade, colocou a sua teoria de parte.

Quando um burro carregado de livros e munido de um alvará de inteligência não consegue perceber o autêntico milagre que é a própria existência da Natureza e do universo (o Ser), não há “decência solidária” que o valha. E o mais grave é que consegue enganar outros idiotas como ele.

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