perspectivas

Pio IX, o Papa progressista que a maçonaria odeia

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Talvez o Papa mais odiado pela maçonaria europeia (que se distingue, em muito e por enquanto, da maçonaria das Américas) seja Pio IX; e em segundo lugar da hierarquia do ódio maçónico está o Papa João Paulo II, nomeadamente porque foi no seu pontificado que Pio IX foi beatificado (2000). Mas ¿será que — se dermos como certa e como boa apenas a coerência da maçonaria em relação aos seus propalados “ideais” — esse ódio maçónico em relação a Pio IX se justificava na sua época?

Tal como acontece hoje com Francisco I, o Papa Pio IX foi eleito no seu tempo pela corrente liberal e progressista da Igreja Católica; ou seja, se Pio IX vivesse hoje, diríamos que ele era de esquerda.

Logo que foi eleito, e como progressista que era, Pio IX tratou de fazer “progredir” a sociedade: por exemplo: acabou com os presos políticos; promoveu uma nova Constituição secular para os Estados Pontificais através da qual uma câmara de deputados era eleita por cooptação a partir das autarquias, e em que os poderes temporais do Papa eram radicalmente diminuídos; implementou a liberdade de imprensa e promoveu a liberdade de expressão; cedeu o poder da censura eclesiástica a um conselho totalmente laico; acabou definitivamente com o gueto judeu de Roma que separava a comunidade judia da restante comunidade; ordenou a protecção do Estado em relação aos judeus e às suas propriedades; etc..

Perante estas reformas, quase todos os países da Europa ficaram escandalizados e criticaram Pio IX. A Rússia chegou mesmo a ponderar o corte de relações com o Estado do Vaticano.
¿E o que fez a maçonaria europeia? Criou a Carbonária!

Face à abertura progressista do Papa Pio IX, a maçonaria recrudesceu a sua acção violenta, criando a Carbonária que assassinou, em 1848, o ministro do Vaticano Pellegrino Rossi nas escadas interiores do parlamento. A seguir, a Carbonária maçónica, liderada por Giuseppe Mazzini, ocupou o Vaticano, o que fez com que o Papa progressista Pio IX tivesse que fugir para Gaeta, na Sicília, para não ser morto. E só depois desta experiência de terror, Pio IX compreendeu o seu erro e transformou-se num adversário formidável da maçonaria. Mas era tarde.

A estratégia política da maçonaria é, em primeiro lugar, a de auto-vitimização sistemática: a maçonaria considera-se sempre vítima e nunca tem culpa de nada. E, a existirem culpas, elas são dos maçons considerados em termos individuais, e nunca da maçonaria como organismo político. Em segundo lugar, a maçonaria faz sistematicamente das aberturas políticas e da promoção do diálogo, oportunidades políticas para legitimar e incrementar o grau de violência na sociedade; a maçonaria vê sempre a tentativa de diálogo como um sinal de fraqueza vinda da parte dos seus inimigos — e talvez tenha alguma razão.

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