«Disparidades entre pessoas do mesmo grupo, em qualquer área que seja, não são obviamente uma realidade imutável. Mas uma igualdade geral de resultados raramente já foi testemunhada em qualquer período da história — seja em termos de habilidades laborais ou em termos de taxas de alcoolismo ou em termos de quaisquer outras diferenças — entre aqueles vários grupos que hoje são ajuntados e classificados como “brancos”.
Sendo assim, por que então as diferenças estatísticas entre negros e brancos produzem afirmações tão dogmáticas — e geram tantas acções judiciais e trabalhistas por discriminação — sendo que a própria história mostra que sempre foi comum que diferentes grupos seguissem diferenciados padrões ocupacionais ou de comportamento?
Um dos motivos é que acções judiciais não necessitam de nada mais do que diferenças estatísticas para produzir veredictos, ou acordos fora de tribunais, no valor de vultosas somas monetárias. E o motivo de isso ocorrer é porque várias pessoas aceitam a infundada presunção de que há algo de estranho e sinistro quando diferentes pessoas apresentam diferentes graus de êxito pessoal.
O desejo de intelectuais de criar alguma grande teoria que seja capaz de explicar padrões complexos por meio de algum simples e solitário factor produziu várias ideias que não resistem a nenhum escrutínio, mas que não obstante têm aceitação generalizada — e, algumas vezes, consequências catastróficas — em vários países ao redor do mundo.
A teoria do determinismo genético, que predominou no início do século XX, levou a várias consequências desastrosas, desde a segregação racial até o Holocausto. A teoria actualmente predominante é a de que algum tipo de maldade explica as diferenças nos níveis de realizações entre os vários grupos étnicos e raciais. Se os resultados letais desta teoria hoje em voga gerariam tantas mortes quanto no Holocausto é uma pergunta cuja resposta requereria um detalhado estudo sobre a história de rompantes letais contra determinados grupos odiados por causa de seu sucesso.»
via Mídia Sem Máscara – Intelectuais e raça – o estrago incorrigível.
Vale a pena ler o artigo.
O que mais me surpreende no progressismo é o desconhecimento — intencional ou não — de um facto tão evidente que até fere a nossa vista: as estatísticas científicas são baseadas no passado!. E das duas, uma: ou o ser humano é considerado uma máquina, ou uma espécie de robô cartesiano, e então as estatísticas recolhidas no passado podem determinar e prever totalmente o seu comportamento futuro; ou o ser humano é considerado um ser metafísico e subjectivo, dotado de um sujeito e de uma referência psicológica a priori não passível de previsão determinística a partir de estatísticas.
Os progressistas de finais do século XIX e princípio do século XX — a esquerda, mas também os liberais — defenderam o eugenismo baseando-se em uma mundividência determinística (positivista) acerca do ser humano. Diga-se que o progressismo é uma religião política e portanto uma forma de gnosticismo (Eric Voegelin). Essa mundividência determinística, positivista e cartesiana acerca do ser humano ainda existe hoje entre indivíduos como por exemplo Richard Dawkins. Porém, rapidamente os progressistas pós-modernos abandonaram provisoriamente o eugenismo com o advento de Hitler (ele próprio de esquerda e socialista).
Ou seja, o progressismo mudou radicalmente o seu discurso em uma reviravolta de 180 graus a partir da queda do muro de Berlim, defendendo hoje a autonomia radical do indivíduo em relação a qualquer condicionalismo natural e, portanto, uma total autonomia do indivíduo em relação a qualquer determinismo natural.
De um extremo, o progressismo passou ao outro extremo; da defesa do eugenismo em relação a raças consideradas “inferiores” por um qualquer pretexto determinístico e natural, o progressismo passou hoje a negar radicalmente qualquer vínculo do Homem à sua própria natureza. Isto significa que quaisquer diferenças naturais entre indivíduos são hoje vistas pelos progressistas como um mal em si mesmas, e como uma ameaça à autonomia do indivíduo e à “igualdade”. A natureza e a realidade são, assim, também radicalmente negadas pelos progressistas actuais.
Mas o padrão de pensamento dos progressistas e liberais do princípio do século XX, por um lado, e dos actuais, por outro lado, é idêntico: a tentativa de determinar — mediante a adopção de uma “segunda realidade” imaginada que se sobreponha à natureza das coisas e à realidade propriamente dita — a essência do ser humano, o que em ambos os casos leva à negação da própria realidade e da natureza humana — realidade essa que nos demonstra, de uma forma tão evidente que até a física quântica já nos verificou bastamente, que é impossível prever com segurança o futuro humano e histórico.
Os progressistas actuais transformaram, de uma forma absurda, os “direitos humanos” em uma política (em uma ideologia). E uma ideologia dos direitos humanos só pode fazer algum sentido através da afirmação radical da autonomia do indivíduo em relação à natureza humana. O indivíduo transforma-se assim paulatinamente num átomo à medida que os sucessivos “direitos” concedidos, cada vez mais grupais e mesmo individualizados, pulverizam a sociedade, erradicando ao longo do tempo a ligação ontológica e institucional essencial à sociedade.
O ser humano só pode existir enquanto ser instituído. E quando as instituições tradicionais e históricas de base da sociedade são sistematicamente destruídas pelos novos gnósticos progressistas, a sociedade atomiza-se.
A atomização da sociedade levará provavelmente a sociedade a evoluir em direcção a um qualquer novo tipo de totalitarismo através da construção de um “corpo místico” unificado por um caudilho — e é exactamente isso que o progressismo gnóstico pretende.
É importante que as pessoas esclarecidas e mentalmente sãs, e que ainda tenham poder de influir no curso dos acontecimentos, tentem travar esta tendência histórica ocidental e principalmente europeia. É importante que as pessoas entendam que o progresso não é uma lei da natureza; basta uma geração de bárbaros gnósticos para que todo o “progresso” de uma civilização inteira seja comprometido ou mesmo desapareça.