perspectivas

Terça-feira, 19 Março 2013

Belmiro de Azevedo defende a bitola salarial da China para Portugal

Vinha no carro quando ouvi na rádio uma declaração do empresário Belmiro de Azevedo segundo a qual não se vê qualquer problema de Portugal vir a ser uma economia em que os salários serão baixos.

Vivemos tempos difíceis em que as elites perderam o discernimento.

Se é para destruir totalmente o Estado Social, então, pelo menos, que controlemos o movimento de capitais. O que não faz sentido é fazermos parte de um clube rico (o Euro) e vermos depois o produto das mais-valias geradas em Portugal ser sistematicamente enviado para os Bancos do norte da Europa.

Belmiro de Azevedo já não se dá conta de que o critério de abaixamento do nosso nível salarial já não pode (hoje) ter como referência os salários de alguns países de leste, como por exemplo a república checa, a Polónia, a Estónia, a Lituânia, a Eslovénia, etc. “Baixar os salários” é, hoje, colocar o nosso nível salarial ao nível da Roménia e da Turquia, o que significa um retrocesso económico das famílias portuguesas em cerca de 25 anos — voltaríamos à década de 1980.

Só se justificaria um abaixamento de salários por via da desvalorização automática da moeda, o que significaria a saída de Portugal do Euro. Defender a baixa de salários através de aumentos sucessivos de impostos e através de congelamentos salariais, e simultaneamente defender a permanência de Portugal Euro, é defender um suicídio nacional: “o último que sair do aeroporto da Portela, que feche a porta”. De qualquer modo, o retorno de Portugal a uma moeda própria — e mesmo tendo em conta a normal desvalorização da nova moeda em relação ao Euro — deveria implicar, em compensação, uma diminuição da carga fiscal em geral (em relação a empresas e privados).

Se é para destruir totalmente o Estado Social, então, pelo menos, que controlemos o movimento de capitais. O que não faz sentido é fazermos parte de um clube rico (o Euro) e vermos depois o produto das mais-valias geradas em Portugal ser sistematicamente enviado para os Bancos do norte da Europa.

1 Comentário »

  1. Sem uma moeda própria, qualquer nação fica de mãos atadas para medidas mais ousadas e mais eficazes a curto prazo. Quando na ocasião da primeira crise da Argentina, o maior obstáculo, era a politica insana de paridade com o Dolar(1 peso argentino = 1 dólar), que em termos práticos é como se houvesse uma moeda única entre a Argentina e os EUA. De forma semelhante aos europeus sob o euro, havia uma barreira cultural entre os argentinos que dificultava o fim dessa politica suicida, pois a paridade monetária os fazia se sentirem tão importantes quanto os americanos. A realidade bateu a porta, e em face do exemplo brasileiro(na época aplicava uma desvalorização fortissima, o dólar valia quase 4 reais), os argentinos então desvalorizaram sua moeda, mas ainda de forma muito modesta.

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    Comentar por Marcelo R. Rodrigues — Quarta-feira, 20 Março 2013 @ 3:34 am | Responder


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