perspectivas

Segunda-feira, 4 Março 2013

A barbárie progressista e o mundo melhor

O progresso não é uma lei da natureza: basta uma geração de bárbaros para destruir uma qualquer civilização — o que já está a acontecer com a barbárie “progressista”.

uma contradição intrínseca no discurso da Helena Damião: é uma contradição que se situa no avesso do tecido do seu (dela) discurso, e que por isso não é detectável facilmente a olho nu. A aporia consiste no seguinte: não é lógico defender a possibilidade de um “mundo melhor” (progressismo), por um lado, e por outro lado, simultaneamente, negar que o mundo está em um contínuo progresso (historicismo).

Ou seja, é contraditório afirmar que a humanidade é susceptível de progresso, e ao mesmo tempo dizer que a humanidade não tem progredido. Ao contrário do que a Helena Damião pensa, “os problemas não se resolvem: apenas passam de moda” (Nicolás Gómez Dávila).

Ora, pelo facto de os problemas não se resolverem, não significa que não deva existir uma ética cujos valores existam por si mesmos e independentemente de qualquer utilidade. Essa ética serve para minorar os problemas no sentido de um equilíbrio racional das sociedades, e não para os resolver — porque os problemas não têm uma qualquer solução radical.

Quando nós pensamos que os problemas da humanidade têm uma solução radical que os elimine, nada mais fazemos do que agravar os problemas, porque recusamos a realidade da condição humana tal qual ela se nos apresenta (a “Grande Recusa”, do marxismo cultural ou gnosticismo moderno).

Por exemplo, uma coisa é tentar combater a fome no mundo, o que é possível fazer; outra coisa bem diferente é defender a ideia segundo a qual “não existe diferença nenhuma entre um homem e uma mulher” — como os “progressistas” defendem hoje. A primeira faz parte do possível, e a segunda é uma interpretação delirante da realidade. O progresso não é uma lei da natureza: basta uma geração de bárbaros para destruir uma qualquer civilização — o que já está a acontecer com a actual barbárie “progressista”.

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2 comentários »

  1. Você lembrou-me do que disse certa vez o Prof. Olavo de Carvalho, ao concluir uma de suas preleções:

    “Todas as ideologias que alegavam pregar um ‘mundo melhor’ terminaram, invariavelmente, em genocídios. Se eu tivesse que dar um conselho aos jovens de hoje, diria-lhes: ‘Fujam do mundo melhor! Mundo Melhor, NÃO!”

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    Comentar por Ebrael Shaddai — Segunda-feira, 4 Março 2013 @ 11:20 am | Responder

  2. Excelente alocução de Olavo Carvalho… irei partilhar…

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    Comentar por Paulo Monteiro — Segunda-feira, 4 Março 2013 @ 1:25 pm | Responder


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