perspectivas

Duas histórias de dois radicais chapados

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Alexandre Soares dos Santos, referindo-se ao cantar público da “Grândola Vila Morena”, diz que “essa mentalidade de atacar sempre os outros tem que acabar”. Ou seja, a sua proposição refuta-se a si própria, na medida em que ele ataca os outros dizendo que “os outros têm que parar de atacar os outros”.

Eu não fui nem iria para a rua cantar a Grândola, mas há que convir que é melhor cantar a Grândola do que ir para a rua atirar pedras à polícia. No meio disto tudo, temos que ser minimamente optimistas. Mas Alexandre Soares dos Santos não pensa assim: não havendo, em Portugal, pedradas na polícia como acontece em Espanha e na Grécia, ele quer também acabar com a Grândola pública. A ausência de pedradas contra a polícia justifica, segundo Alexandre Soares dos Santos, uma espécie de auto-censura popular em relação à Grândola. Alexandre Soares dos Santos é um perfeccionista: o ideal, para ele, seria que o povo “comesse” a receita da Troika e ficasse calado.

Mas Alexandre Soares dos Santos vai mais longe: segundo ele, a solução política do actual problema português passa, e cito, “ouvir as pessoas, como empresários e elites universitárias”. Ou seja, ouvir as elites justifica a auto-censura do cantar da Grândola. O povo que se lixe porque o que conta são as elites.

A segunda história tem a ver com o deputado ao paralamento europeu, Rui Tavares, que pertenceu ao Bloco de Esquerda. Defende ele a criação de uma unidade de investigação de crimes financeiros a nível da União Europeia que pretende ser uma espécie de big brother dos movimentos financeiros na Europa. Verificamos que a Esquerda critica Passos Coelho na área fiscal, mas depois segue os passos do coelho. A proposta de Rui Tavares é uma utopia perigosa, na medida em que instalaria um clima de suspeição e de medo dos investidores, que se afastariam da Europa.

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