perspectivas

Terça-feira, 26 Fevereiro 2013

Uma história sórdida de lésbicas e de bancos de esperma

Um homem e uma mulher nasceram de pais anónimos através de doação de esperma, e ambos foram educados por lésbicas: a mãe dele era lésbica vivendo sozinha, e a mãe dela vivendo com outra lésbica. Até à adultez, nem um nem outro sabiam quem eram os respectivos pais.

Ele e ela encontraram-se na universidade, apaixonaram-se um pelo outro e casaram-se depois de acabados os respectivos estudos. Quando chegaram aos 30 anos, já tinham três filhos. E para que ambos pudessem legar aos seus três filhos uma árvore genealógica, resolveram investigar e tentar descobrir quem eram os respectivos pais — os dadores anónimos de esperma. E descobriram que os dois (ele e ela) eram meio-irmãos, porque o dador de esperma foi o mesmo no caso dele e dela. Em resultado desta história sórdida, ele teve que fazer uma vasectomia para evitar ter mais filhos, mas não informou a mulher (a irmã!) da sua descoberta.

É isto que a nossa classe política inconsciente e amoral defende, de uma forma sistematizada, para o futuro da nossa sociedade.

When my wife and I met in college, the attraction was immediate, and we quickly became inseparable. We had a number of things in common, we came from the same large metropolitan area, and we both wanted to return there after school, so everything was very natural between us. We married soon after graduation, moved back closer to our families, and had three children by the time we were 30.

via Dear Prudence: My wife and I came from the same sperm donor. – Slate Magazine.



Algumas pessoas contestam a ilação retirada deste postal, baseando-se em dois sofismas:

1/ testes de ADN revelam que crianças não são filhas do pai

2/ existem muitos casos de meios-irmãos que se encontram na vida e que são filhos de heterossexuais.

Refutar argumentos destes torna-se cansativo, e eu não tenho tempo nem paciência para refutar sofismas. Mas neste caso vou abrir uma excepção.

O primeiro argumento parte da falácia da mediocridade, que consiste em “nivelar por baixo” as características de um grupo social — neste caso, as mulheres — ou de um conjunto de seres ou objectos. Ou seja, segundo esse argumento, todas as mulheres, ou a maioria das mulheres, são infiéis ao seu parceiro. Falando em português correcto: “quase todas as mulheres são putas”. E por isso, segundo o argumento, o encontro sexual de meios-irmãos, e que se desconhecem como tal, é impossível de evitar. Ora, qualquer pessoa com dois dedos de testa sabe que a esmagadora maioria das mulheres não tem naturalmente esse qualificativo nem essas características.

O segundo argumento parte de um princípio semelhante ao anterior, mas acrescenta-lhe, de uma forma subentendida, o “direito” da mulher a ter filhos de pai incógnito. Por exemplo, nos países do norte da Europa, e por imposição cultural de raiz política e ideológica (feminismo), cerca de 50% das crianças nascidas são de pai incógnito. Um dos direitos da mulher é hoje gerar filhos-de-puta. A partir do momento em que uma criança filha-da-puta — porque não sabe quem é o seu pai biológico — é um “direito” da mulher, então torna-se impossível evitar que irmãos se relacionem sexualmente com irmãs.

Em suma, ambos os argumentos partem de aberrações comportamentais para justificar a não excepcionalidade da aberração das lésbicas que recorrem a bancos de esperma anónimos. Os dois argumentos são, em si mesmos, formas da falácia da mediocridade: vivemos numa sociedade que nivela por baixo, o que é um sinal de decadência civilizacional.

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