perspectivas

Quarta-feira, 6 Fevereiro 2013

¿ As raças existem ?

Alguém, brasileiro, escreveu o comentário seguinte neste meu verbete, comentário esse que publico aqui apenas por razões pedagógicas:

“Este texto não tem nada a ver, parece que pessoas ainda continuam na Idade da Pedra e não conseguem entender quando os conceitos são modificados pelas evidências. Definitivamente não existem raças cientificamente entre os seres humanos, o projecto Genoma, deixou claro que NÃO EXISTEM GENES RACIAIS, raça é um conceito social e não científico, retirar a palavra raças não é mais nada menos do que seguir as evidências científicas.

O conceito de raças que não tem nenhuma importância real nas ciências, só deve ser considerado quando se tratar de violações de direitos humanos ou de necessidade de igualdade, pois este termo foi usado constantemente para denegrir povos em todo o mundo em beneficio de classes dominantes. Não vejo nenhum mal e nem erro, pois raças não precisam desaparecer, pois já não existem sob o ponto de vista racional, somente pelo ponto de vista racista. Que o conceito inútil social siga o seu papel de reparo, mas nada mais que isto.”


Antes de analisar o texto, vamos fazer algumas perguntas:

  • ¿ reconhecer a existência de raças significa que se é racista?
  • ¿ será que dizer “genoma humano” é a mesma coisa que dizer que “só existe uma única categoria de características genéticas e independente de raças” ?


Quando a noção cristã de “pessoa” desaparece, e só fica a noção de “indivíduo”, a única forma de negar o racismo é dizer que as raças não existem: é negar a realidade tal qual a vemos e constatamos.

1/ Reconhecer a existência de uma coisa não significa necessariamente que se tenha um juízo negativo em relação a essa coisa. Olhar para a realidade e reconhecer que existem raças, não significa que se seja racista. Pelo contrário: a condição de não se ser racista é ter a consciência de que existem raças. “Ter consciência” significa que a questão da raça deixou de pertencer ao domínio do inconsciente e do instinto, e passou a ser racionalizada — passou para o domínio da racionalidade. Racionalizar a questão das raças significa colocá-las numa perspectiva ontológica, ou seja, colocar em cima da mesa o conceito de “pessoa”, e não só o conceito de “indivíduo”.

Uma política que nega a existência de raças é ainda mais perigosa do que uma política racista — porque nega a racionalidade do ser humano. É uma política que pretende impor uma espécie de fé que obnubila a realidade tal qual esta é. Negar a racionalidade do ser humano é uma receita perfeita para o desastre — e é isso que a Esquerda está sistematicamente a fazer: negar a racionalidade do ser humano.

É evidente que existem raças. É mesmo auto-evidente. Negar a existência de raças é delírio interpretativo. Olhar para uma coisa e dizer que essa coisa não existe, é próprio de um desarranjo mental qualquer. Porém, por detrás de uma qualquer raça está uma pessoa. E por isso é que a “consciência da pessoa” — a racionalização do conceito de raça — relega para segundo plano as diferenças e concentra-se na identidade universal e ontológica da “pessoa”.

2/ Doze por cento do genoma humano varia segundo as raças. 12%. Portanto, a ideia segundo a qual “não existem genes raciais”, e que a raça é um “conceito social” e “não científico” vai para o escambal! (como diz o brasileiro). Por exemplo, está demonstrado que a incidência do cancro na mama é superior em mulheres africanas do que em mulheres europeias; e é inferior nas mulheres asiáticas quando comparadas com mulheres europeias.

3/ O comentário do petista tem origem num problema ético muito actual, que reside na substituição da noção de “pessoa” (tipicamente religiosa e cristã) pela noção de “indivíduo” (que se escora no contexto actual de autonomia e liberdade sem responsabilidade). Quando a noção cristã de “pessoa” desaparece, e só fica o “indivíduo”, a única forma de negar o racismo é dizer que as raças não existem: é negar a realidade tal qual a vemos e constatamos.

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5 comentários »

  1. Este indivíduo é um cidadão. E a sua mulher (em sendo casado) é outro cidadão. Uma raça de gente com horizontes sempre cerceados.
    Cumpts.

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    Comentar por Bic Laranja (@biclaranja) — Quarta-feira, 6 Fevereiro 2013 @ 12:59 pm | Responder

  2. Brilhante resposta!

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    Comentar por Cátia Silva — Quarta-feira, 6 Fevereiro 2013 @ 5:19 pm | Responder

  3. Caro Orlando, o que vou dizer, não significa que estou “passando a mão na cabeça” do meu compatriota:
    Na Academia brasileira, isso(a teoria de que não há raças) é reproduzido a rodo e, ai de quem questionar. Os “formadores de opinião”(jornalistas, artistas,escritores,etc…) fazem o mesmo, com o agravante de alcancarem muito mais pessoas, repassando a teoria como se fosse a mais pura verdade científica.
    No meu modo de ver, meu compatriota erra, não pelo comentário em si, mas, por reproduzir algo sem o devido conhecimento de causa, ou, em outras palavras: Quer opinar sobre algo que não domina, quando o mais prudente seria ficar calado, ou, no máximo fazer perguntas.Provavelmente, ele deve achar que a antropologia militante é mais “verdade” do que a Genética e a Biologia e, até mesmo do que a Antropologia clássica. Isso(de achar que é mais “verdade”) é repassado por muitos doutores da área das Ciencias Humanas, até porque, para estes doutores, tudo é socialmente construído.Esse modo torto de ver a ciência, cria um racha(desnecessário) entre as chamadas ciências exatas e as humanas. O problema é que, quem é militante(não um estudante sério) das humanas , privatizou o debate público, tornando se “a” autoridade no assunto. Ainda pior, é vermos biológos e geneticistas cometendo o mesmo erro.

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    Comentar por Fabricio Jean — Quinta-feira, 7 Fevereiro 2013 @ 12:47 pm | Responder

    • Bom, Fabrício, então o problema é diferente…

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      Comentar por O. Braga — Quinta-feira, 7 Fevereiro 2013 @ 1:07 pm | Responder

      • Sim, Orlando. Mas isso não isenta meu compatriota de culpa. Esse tipo se acha o sabichão, mais “descolado” do que os conservadores caretas. O que eu quero dizer com isso? Bem, no meu curso(Ciências Sociais) tenho visto tipos assim que, questionam tudo, menos as teorias que lhes agradam o ego materialista. A coisa é séria, como alguém que não entende de genética ou biologia, acredita mais na antropologia militante, sem praticar o menor senso crítico?Só porque acha que é um progresso? Porque justifica o comportamento desordenado(noeticamente falando)?
        Sinceramente e, pensando em meu próprio exemplo(também fui “educado” pelo relativismo e, em escola pública), esse tipo não quer é pensar por conta prórpria, afinal de contas, dá mais trabalho.
        Culpar só a educação precária a que somos submetidos, é na verdade, uma fuga da realidade, pois, se eu, que estou longe de ser o mais inteligente da turma, consegui enxergar outras possibilidades, por que os mais inteligentes não? Estou começando ler Eric Voegelin(com muito esforço, sem hipocrisia) e, penso que ele têm a resposta para o problema: Pessoas desordenadas noeticamente serão sempre reféns de ideologias, não importa o quanto inteligentes sejam.

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        Comentar por fabriciojean9 — Sexta-feira, 8 Fevereiro 2013 @ 11:15 am


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