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O “escurinho” do FMI

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O Daniel Oliveira ficou muito ofendido quando alguém chamou “escurinho” a um preto, mas não fica ofendido se um nascituro preto (por exemplo) é abortado. Pelo contrário: ele defende o “direito” de abortar pretos!

Este novo puritanismo politicamente correcto consiste na inversão dos tabus: por exemplo, para o Daniel Oliveira, é tabu dizer que um preto é “escurinho”, mas deixa de ser tabu abortar uma criança preta.

E ¿ como é que o Daniel Oliveira justifica a sua inversão hipócrita e puritana dos tabus ? Com a História e com a Linguagem. Já lá vamos a ambas.

1/ O Daniel Oliveira compara o facto de se chamar “escurinho” a um preto, por um lado, com o facto de se chamar de “aleijadinho” ao ministro das finanças alemão, Wolfgang Schäuble, por outro lado. Ou seja, para o Daniel Oliveira, ser preto é uma deficiência física ou um handicap. E depois, diz que “os racistas são os outros” — parafraseando Sartre que dizia que “o inferno são os outros”.

Ora, acontece que um preto é “escurinho” e um branco é “branquinho e bochechudo rosado”. Nem o preto é “aleijadinho”, nem as “bochechas vermelhuscas” do branco são defeito de fabrico.

2/ Este puritanismo hipócrita de Daniel Oliveira, se levado às suas últimas consequências, teria como corolário uma censura política arbitrária. As pessoas teriam medo de falar o que quer que seja, com medo de dizer qualquer “asneira” politicamente incorrecta. O puritanismo hipócrita do Daniel Oliveira é totalitário.

3/ O puritanismo hipócrita do Daniel Oliveira tem a sua origem na Teleologia Negativa de Dominação Total — da “Teoria Crítica” da Escola de Frankfurt, de Adorno, Marcuse, Horkheimer e comandita. Trata-se de uma doutrina de negação da Razão e uma filosofia negativa da História.

Face à realidade concreta, e ao facto de haver pretos, brancos, amarelos e vermelhos, essa “realidade patológica” das sociedades humanas é culpa da própria Razão: “a sociedade, completamente racionalizada, resplandece sob o signo da calamidades que imperam por toda a parte” [“A Dialéctica da Razão”, Adorno, Horkheimer, 1974].

A “barbárie moderna” resulta da própria dinâmica da Razão, como domínio sobre a natureza e domínio de uns sobre os outros. Ora, se o domínio é racional, há que irracionalizar a sociedade para acabar com o domínio. “A Razão não pode realizar a sua racionalidade senão reflectindo sobre a doença do mundo, sobre o modo como é produzida e reproduzida pela modernidade” [Idem].

É mediante a irracionalização da sociedade para acabar com o “domínio” de uns sobre os outros, que os tabus do Daniel Oliveira são invertidos: deixa de ser tabu abortar um pretinho (e é mesmo um direito!) , mas passa a ser tabu chamar de “escurinho” a um preto.

Adenda: Sobre a Linguagem, ler: O Desconstrutivismo de Derrida.

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