perspectivas

Sexta-feira, 4 Janeiro 2013

Os “acordistas” dizem que “a ortografia é uma convenção”

Essencial do essencial é sempre ter considerado que a ortografia é uma convenção, um facto que se veste sobre o corpo da língua.

via No moleskine: Acordo ortográfico.

A defesa do Acordo Ortográfico leva certa gente aos argumentos mais rebuscados e falaciosos. É o caso do escriba supracitado. ¿O que é que ele faz, naquele texto? Primeiro, diz que “a ortografia é uma convenção”; e depois, partindo deste princípio errado, define os neologismos como convenções da língua — ou seja, estende a concepção de “neologismo” à essência da própria língua, como se a língua escrita nada mais fosse senão um processo histórico de incorporação de neologismos.

Vamos saber o que é uma convenção:

convenção
(latim conventio, -onis)
s. f.
1. Ajuste entre partes interessadas. = ACORDO
2. Pacto entre partidos políticos beligerantes.
3. Costume admitido (nas relações sociais).

objector de consciencia webOra, a língua escrita não é apenas um costume ou um acordo, porque tem uma origem etimológica, ou seja, tem uma causa histórica que a condiciona. Dizer que “a ortografia é uma convenção” é dizer que a ortografia é um mero conjunto de sinais que podem ser mudados arbitrariamente, ao sabor da discricionariedade do poder político, por exemplo, sem que o conteúdo da língua seja alterado. Quem diz que “a ortografia é uma convenção”, diz também que um sinal é a mesma coisa que um símbolo.

Uma língua é um sistema de comunicação humana falada e/ou escrita comum a uma comunidade linguística. Porém, parece que há hoje duas formas de ver a língua: ou como um sistema de símbolos, ou como um conjunto de sinais.

O símbolo tem um conteúdo, em que é simbolizado o representado, enquanto que os sinais são escolhidos arbitrariamente.

O símbolo, para além do significado cultural que o sinal também pode ter, tem um significado espiritual (relativo à experiência humana subjectiva que adquire uma experiência intersubjectiva histórica ou colectiva) que o sinal não tem.

Portanto, assumir que a ortografia se resume a um mero conjunto de sinais (convenção) é um sofisma actual politicamente correcto que está a destruir a nossa cultura — não só a cultura portuguesa, mas também a cultura brasileira.

Por outro lado, a incorporação de neologismos — por exemplo, em Luís de Camões renascentista, quando colocado em relação a Gil Vicente — não altera a estrutura simbólica da língua, e é por isso que podemos dizer que Luís de Camões foi um génio. Os génios da arte, neste caso da literatura, são talvez os únicos que têm legitimidade de operar qualquer alteração na língua escrita.

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1 Comentário »

  1. Reblogged this on Firefox contra o Acordo Ortográfico.

    Comentar por ashyam90 — Sexta-feira, 4 Janeiro 2013 @ 7:05 pm | Responder


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