1/ Neste vídeo, o protagonista não se deu conta de que, com o Acordo Ortográfico, o português escrito sai muito mais prejudicado do que o brasileiro, na medida em que as alterações da grafia seriam muitíssimo maiores no português do que no brasileiro. Ou seja, o protagonista do vídeo não se deu conta de que o Acordo Ortográfico foi imposto pelo Brasil a Portugal. Essa coisa de alguém se auto-vitimizar depois de ter feito asneira, é próprio de um mentecapto.
2/ A imposição do Acordo Ortográfico por parte do Brasil tem a ver com o português falado e escrito em países como Angola, Moçambique, Cabo-Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Timor, países estes que uma grande maioria dos brasileiros não sabe sequer que existem — enquanto que a ligação dos portugueses, em geral, com estes países é muito forte por razões históricas. Este novo mundo de língua portuguesa, dos novos países africanos independentes, fez parte da estratégia de imposição política, por parte do Brasil, do Acordo Ortográfico a Portugal e aos outros países de língua portuguesa (geopolítica).
3/ É certo que existiram meia dúzia de linguistas estúpidos portugueses que seguiram, adoptaram e sancionaram o Acordo Ortográfico. Mas seria estúpido, também, que não se constatasse uma evidência: se neste Acordo Ortográfico, o português escrito é muito mais sacrificado do que o brasileiro, parece-me lógico que existiu uma relação de forças assimétrica na feitura do dito cujo.
« A língua ou idioma de um povo não é propriedade ou está subordinada ao controle de ninguém que não seja o próprio povo que a criou, que a fala, modifica, transforma e enriquece à medida em que cria, modifica, ou ainda assimila de outras línguas novos termos, promovendo com isso e por si só a constante evolução da sua língua… A Língua Portuguesa é um património do povo português, e não do governo português, e muito menos ainda de qualquer clube, agremiação ou academia pretensamente inserida no controle de qualquer faceta deste Património Nacional… É SIM UM PATRIMÓNIO NACIONAL E NÃO UM PATRIMÓNIO ACADÉMICO, E MUITO MENOS GOVERNAMENTAL. E ninguém, absolutamente ninguém tem o direito de negociá-la ou fazer qualquer acordo referente a ela com quem quer que seja.
Os brasileiros não tem o direito de impor absolutamente nada na língua dos portugueses. E se não estiverem satisfeitos com a forma com que os portugueses a falam e escrevem, que regulamentem a língua falada no Brasil (esta língua em que estou escrevendo por viver aqui há mais de 50 anos)… se tiverem capacidade para isso… O que está ocorrendo é que os brasileiros não tem (suponho) capacidade para regulamentar a sua língua e optaram por tentar assumir o controle do Português já regulamentado e prontinho. Por outro lado, não sei porque interesses (escusos?) os portugueses acordistas estão tratando de vender a nossa língua, este património do povo português, como se ela fosse mera e vil prostituta… — Cambada de canalhas!!!!!!!!!»