perspectivas

Proibir, para submeter e humilhar

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O secretário de Estado da Saúde considera que os portugueses têm a obrigação de contribuir para a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS), prevenindo doenças e recorrendo menos aos serviços.

“Se nós, cada um dos cidadãos, não fizermos qualquer coisa para reduzir o potencial de um dia sermos doentes, por mais impostos que possamos cobrar aos cidadãos, o SNS será, mais tarde ou mais cedo, insustentável”, afirmou Fernando Leal da Costa, em entrevista à agência Lusa.

via Portugueses devem prevenir doenças e ajudar o SNS – Sociedade – Sol.

Sinceramente, não sei bem o que dizer desta notícia. Sou forçado a apanhar os cacos das ideias dispersas que tomam uma forma absurda, porque a absurdez é apenas aparente.

O conceito de “reduzir o potencial de um dia sermos doentes” é “pau para toda a colher”. Só me ocorre uma ideia: essa gente está a preparar-se para privatizar os serviços de saúde, e transformar os hospitais públicos, que ainda sobrem das privatizações, em instituições novecentistas semelhantes às das novelas de Charles Dickens.
Esta gente tem que sair do poleiro, e quanto antes. E antes que eles saiam, deve sair imediatamente o director-geral de saúde que sobrou do governo de José Sócrates, Francisco George que, com aquela cara de bêbedo “todos os dias”, faz campanha fundamentalista e doentia contra qualquer putativa maleita dos outros.

Diz o governo que “é necessário que os cidadãos comecem a ter uma atitude de prevenção de doenças para que não precisem tanto dos serviços de saúde”. E depois, enumera: “os problemas ligados ao tabaco, ao álcool e à diabetes tipo 2 (que é prevenível) representam anualmente e em conjunto um encargo para o Estado de cerca de 800 milhões de euros”.

O que o governo parece significar é que se ninguém fumasse e/ou bebesse álcool em Portugal, o Estado poupava 800 milhões de Euros, porque deixariam de existir doenças substitutivas e óbitos respectivos. O povo ficaria todo saudável. Ou seja, a julgar pelo raciocínio do governo, ninguém morreria por outra qualquer doença, e portanto seriam poupados 800 milhões de Euros. Parte-se do princípio segundo o qual, se ninguém fumasse e se ninguém bebesse álcool, os níveis de stress na sociedade seriam os mesmos ou até menores; e que a alimentação da populaça melhoraria de forma substancial, mesmo com os cortes salariais feitos pelo governo.

Segundo o governo, um alcoólico é alcoólico porque adora ser alcoólico. Trata-se de uma opção do alcoólico ser alcoólico. Mas os gays já não são gays por opção; são gays porque “nascem assim”! E o valor gasto com o tratamento da SIDA em Portugal, e de outras doenças sexualmente transmissíveis, não fazem parte deste relatório politicamente correcto do governo.

A necessidade de proibir é patente.

A proibição de qualquer coisa, por parte do Estado, e por intermédio da acção da sua força bruta, é um factor de disciplina da populaça, induzindo-a a aceitar uma austeridade cada vez mais draconiana, e à medida que a recessão económica gera mais recessão económica.

A melhor forma de fazer um povo aceitar o mais impossível é proibindo o mais possível. Proibindo isto, e depois aquilo, de forma progressiva e gradual, gera-se um mecanismo pavloviano de reflexo condicionado, transversal a toda a sociedade, que induz a uma maior aceitação de medidas económicas insusceptíveis, à partida, de serem aceites pela população.

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