perspectivas

Segunda-feira, 17 Dezembro 2012

Para fechar aqui a polémica acerca das declarações públicas de Isabel Jonet

O Vasco Pulido Valente escreve sobre Isabel Jonet criticando a posição de José Pacheco Pereira assumida no seu blogue. As vezes que fiz referência a Isabel Jonet, foi aqui e aqui.

É óbvio que as sucessivas opiniões dadas por Isabel Jonet nos me®dia revelam um certo alinhamento político com a “aragem política-ideológica” emanada de Passos Coelho; ambos os discursos têm alguma substância em comum, e como eu não acredito no Acaso, só posso concluir que existe um certo alinhamento político. E por isso é que o Vasco Pulido Valente se “enxofrou” por causa da opinião de José Pacheco Pereira.

As posições públicas de Isabel Jonet não se restringiram às suas (dela) convicções religiosas: também entraram por uma esfera ideológica auto-contraditória, porque não é possível defender simultaneamente as ideias de S. Paulo ou as da Igreja Católica, por um lado, e por outro lado, alinhar com as ideias de Passos Coelho.

Ao contrário do que Vasco Pulido Valente implicitamente afirma, Passos Coelho é tão anti-clericalista quanto se pode ser anti-clericalista. Quando nós vemos, por exemplo, um anti-clericalista primário e básico, e abortista militante confesso, como é o Carlos Abreu Amorim, a defender com unhas e dentes o Passos Coelho, não podemos ter dúvidas acerca do anti-clericalismo primário da ideologia que norteia a governança de Passos Coelho.

Não há nada de conservador e/ou tradicionalista — no sentido cultural do termo — em Passos Coelho. Nada!. A Esquerda radical diz que Passos Coelho é “conservador” porque confunde “conservadorismo” com “lei da selva” — em contraponto à política da “selva sem lei” e de terra queimada proposta por essa Esquerda.

Acredito piamente que Passos Coelho irá ser julgado pela História como um dos grandes equívocos da III república. Passos Coelho não causou ainda mais estragos ao país — em todas as áreas, incluindo na cultura antropológica — porque existe no governo uma certa força independente dele que tem equilibrado os excessos coelhistas.

Hoje, confunde-se Conservadorismo com Neoliberalismo. Vale a pena lembrar uma frase de G. K. Chesterton:

“Too much capitalism does not mean too many capitalists, but too few capitalists.” — G. K. Chesterton : ‘The Uses of Diversity.’

(demasiado capitalismo não significa a existência de demasiados capitalistas, mas antes significa a existência de muito poucos capitalistas).

O conservadorismo não é a promoção política e ideológica de um “capitalismo de uns poucos capitalistas”; quem assim procede é neoliberal, e não conservador. A ideologia política de Passos Coelho é influenciada pelo António Borges da Goldman Sachs que defende um “capitalismo de uns poucos capitalistas”. Pelo contrário, a tradição conservadora defende um capitalismo com muitos capitalistas, em que a maioria dos cidadãos possa ter o seu negócio familiar ou edificar a sua micro-empresa, ou ser sócio de uma média empresa. E é exactamente contra esta tradição conservadora que Passos Coelho e António Borges governam.

O artigo de Vasco Pulido Valente demonstra que 1/ a discussão política resume-se hoje à partidarite pura e simples; já não há ideias: em vez de ideias, imperam os maniqueísmos partidários, como aconteceu no rotativismo monáquico; 2/ a “direita” está a ser tramada por Passos Coelho, e o PSD do Pernalonga arrisca a levar banhadas sucessivas nas próximas eleições — e é isto que preocupa o Vasco Pulido Valente.

Ai aguentam, aguentam!

Ai aguentam, aguentam!

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