perspectivas

Domingo, 9 Dezembro 2012

“O Novo Rebelde”, segundo Chesterton

“O novo rebelde é um céptico que não confia integralmente em nada. Não tem nenhuma lealdade; por isso, não pode ser nunca realmente um revolucionário. E o facto de ele duvidar de tudo constitui um obstáculo quando pretende denunciar qualquer coisa — porque toda a denúncia implica uma doutrina moral de qualquer tipo; e o revolucionário moderno duvida não só de uma qualquer instituição que ele denuncia, mas também duvida da doutrina através da qual ele a denuncia. Por isso, ele escreve um livro queixando-se que o império insulta a pureza das mulheres, e depois escreve outro livro (acerca do problema sexual) em que ele insulta o sexo. Ele insulta o Sultão porque as raparigas cristãs perdem a sua virgindade, e depois insulta a senhora D. Grundy porque ela guarda a sua virgindade.

chesterton-daguerre-webComo político, ele gritará que a guerra é uma perda de vidas, e depois, como filósofo, dirá que a vida é uma perda de tempo. Um pessimista russo denuncia um polícia por ter morto um camponês, e depois demonstra através de mais altos princípios filosóficos que o camponês se deveria ter suicidado. Um homem denuncia o casamento como sendo uma mentira, e depois denuncia os devassos aristocráticos por tratarem o casamento como uma mentira. Diz que a bandeira é uma bugiganga, e depois culpa os opressores da Polónia e da Irlanda porque lhes retirarem e proibirem as respectivas bugigangas.

O homem desta tendência moderna vai primeiro a uma reunião política onde se queixa que os selvagens são tratados como se fossem bestas; e depois pega no chapéu e no guarda-chuva e vai para uma reunião científica onde ele faz prova de que os selvagens são praticamente bestas. Em resumo, o revolucionário moderno, sendo um céptico infinito, está sempre comprometido em minar as suas próprias minas. No seu livro acerca da política, ele ataca os homens por transgredirem na moral; e no seu livro acerca da ética, ataca a moral por transgredir em relação aos homens. Por isso, o homem moderno em revolta tornou-se praticamente inútil para todos os propósitos de revolta. Revoltando-se contra tudo, ele perdeu o direito de se revoltar contra o que quer que seja.”

— G. K. Chesterton

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