perspectivas

Sábado, 1 Dezembro 2012

A União Europeia, a extrema-esquerda e os estereótipos de género

A eurodeputada holandesa e radicalíssima de extrema-esquerda, Kartika Tamara Liotard, apresentou um “projecto de lei” (directiva europeia) a aplicar a todos os países da União Europeia, segundo o qual os “estereótipos de género” devem ser proibidos nos meios de comunicação social e nos sistemas de educação. Ou seja, na União Europeia já temos a extrema-esquerda a fazer leis; e o pior é que Portugal não tem nada a ver com a Holanda e com o radicalismo político holandês que já legalizou a eutanásia e está em vias de legalizar a pedofilia. Nós, portugueses, queremos que os holandeses se entroikem! Para nos entroikar, já nos chega a Troika!

Vamos pensar um poucochinho.


1/ O problema não está em eliminar “estereótipos de género”; o problema é pretender que não existam quaisquer “estereótipos de género”, o que é absolutamente irracional. Eu até poderia compreender o princípio segundo o qual os actuais “estereótipos de género” pudessem ser substituídos por outros “estereótipos de género” — por exemplo, a ideia estereotipada segundo a qual os homens passassem a ter filhos pela barriga das pernas.

O que são “estereótipos de género”? Podemos encontrar aqui uma noção: “os estereótipos de género são generalizações dos papéis (sociais) de cada género (sexo)”.

2/ Desde logo, causa confusão o termo “género”, porque segundo a politicamente correcta Wikipédia, a androginia também é considerada um “género”. Ou seja, segundo o politicamente correcto, os “papéis de género” não podem consequentemente ser inerentes apenas aos dois sexos, uma vez que existe alegadamente um “terceiro género” (a androginia). Portanto, seria mais racional que em vez de “estereótipos de género”, se falasse em “estereótipos de sexos”.

3/ Segundo a politicamente correcta Wikipédia, “1/ ‘género’ é o conjunto de características da feminilidade e/ou da masculinidade. 2/ Dependendo do contexto, o termo ‘género’ pode referir-se ao conceito de ‘sexo’ (o estado de ser macho ou fêmea), ‘papéis sociais’, ou ‘identidade de género’.” O que vemos aqui, no item 1, é uma definição; e no item 2 é um conceito. Portanto, em termos de noção de “género”, podemos dizer que é sinónimo de “sexo”.

4/ A “identidade de género”, segundo a Wikipédia, é o sentimento privado e subjectivo de pertença a um ‘género’ (isto é: a um sexo. Género = Sexo). Ou seja: a identidade de género fundamenta-se no desejo, ou na concupiscência. A “identidade de género” é, portanto, subjectivismo puro, na medida em que não coincide com “identidade sexual” (biologia).

Se a “identidade de género” se fundamenta no desejo, o desejo é então considerado positivo ou a base do Bom (ver utilitarismo e falácia naturalista). E se o desejo é a base do Bom, todos os desejos de todos os agentes morais são igualmente “desejos”, e merecem igualmente satisfação. Concluímos — e seguindo estritamente a lógica radical da extrema-esquerda holandesa — que, por exemplo, o desejo de um pedófilo é bom e merece igualmente satisfação.

5/ Voltemos aos “estereótipos de género” (ou de sexo).

A definição da Wikipédia fala em generalizações de papéis sociais”. Ou seja, fala em juízo universal. Ora, não é possível que uma sociedade se organize com um mínimo de racionalidade sem a prevalência de juízos universais. O que a eurodeputada radical holandesa poderia eventualmente propor é que o juízo universal fosse diferente do que é — mas o juízo universal implica necessariamente a existência de categorias (categorização, no sentido kantiano). Porém, o que a guerra cultural contra os “estereótipos de género” pretende é a abolição das categorias implícitas necessariamente em qualquer juízo universal — ou seja: o que se pretende é acabar com qualquer juízo universal.

Abolindo o juízo universal por via da proibição da categorização, o “conhecimento social” torna-se impossível: o cidadão deixa de poder ter uma noção clara do social e um entendimento do conceito de sociedade. Instala-se a confusão. A luta de classes tradicional é transferida para uma guerra entre uma metade da humanidade (as mulheres) contra a outra metade da humanidade (os homens). A sociedade é atomizada, reduzida ao indivíduo, uma vez que o juízo universal foi banido e a categorização abolida. Estamos no advento do Estado totalitário caracterizado no livro “1984” de George Orwell.

É isto que o politicamente correcto pretende. É isto que tem que ser combatido a todo o custo.

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