“Afinal, tudo não terá passado de um mal entendido e, ao contrário do que afirmou o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker – e repetiram, depois, o primeiro-ministro e o ministro das Finanças portugueses –, nem Portugal nem a Irlanda vão poder beneficiar das facilidades decididas pelos ministros das Finanças da Zona Euro, na segunda-feira, em relação à Grécia.”
via Foi um “mal entendido”. Portugal não vai beneficiar das facilidades da Grécia – Renascença.
Estou a ficar preocupado quando começo a concordar, em matéria de estratégia económica, com a Esquerda, embora devamos continuar de “pé-trás” com a loucura das engenharias sociais esquerdistas e com a sua política cultural altamente destrutiva. Mas nem por isso a Direita se safa: o “conservador” David Cameron é hoje o campeão do politicamente correcto em Inglaterra. Estamos entregues à bicharada (até um dia, em que o “pêndulo da História” volte à sua posição normal).
António Costa (do PS) disse ontem, no programa Quadratura do Círculo (SICn), o seguinte:
“A situação a que chegámos não foi uma situação do acaso. A União Europeia financiou durante muitos anos Portugal para Portugal deixar de produzir; não foi só nas pescas, não foi só na agricultura, foi também na indústria, por ex. no têxtil. Nós fomos financiados para desmantelar o têxtil porque a Alemanha queria (a Alemanha e os outros países como a Alemanha) queriam que abríssemos os nossos mercados ao têxtil chinês, basicamente porque ao abrir os mercados ao têxtil chinês, eles exportavam os teares que produziam, para os chineses produzirem o têxtil que nós deixávamos de produzir.
E, portanto, esta ideia de que em Portugal houve aqui um conjunto de pessoas que resolveram viver dos subsídios e de não trabalhar, e que viveram acima das suas possibilidades, é uma mentira inaceitável. Nós orientámos os nossos investimentos públicos e privados em função das opções da União Europeia: em função dos fundos comunitários, em função dos subsídios que foram dados e em função do crédito que foi proporcionado.
E portanto, houve um comportamento racional dos agentes económicos em função de uma política induzida pela União Europeia. Portanto, não é aceitável agora dizer… podemos todos concluir e acho que devemos concluir que errámos; agora eu não aceito que esse erro seja um erro unilateral dos portugueses. Não, esse foi um erro do conjunto da União Europeia e a União Europeia fez essa opção porque a União Europeia entendeu que era altura de acabar com a sua própria indústria e ser simplesmente uma praça financeira. E é isso que estamos a pagar!”
A propósito do programa Quadratura do Círculo: António Costa é o único que se mantém coerente com o ideário do partido político a que pertence. José Pacheco Pereira cada vez mais se parece com um militante do Partido Socialista, e Lobo Xavier, de democrata-cristão tem quase nada e não se distingue de um neoliberal, membro do gabinete de Vítor Gaspar.
O que António Costa disse é absolutamente verdade! E quando Passos Coelho diz outra coisa diferente, nada mais faz do que mentir descaradamente.