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O Neoliberalismo combate o Estado, mas depende do Estado para combater o Estado

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Os insurgentes explanam aqui sobre o conceito de Neoliberalismo, não como uma teoria económica, mas como uma ideologia política — porque o “desprezo” do Neoliberalismo pela política é uma componente central da ideologia política neoliberal. E mais: o Neoliberalismo, desprezando o Estado, não pode vingar, como ideologia política, sem o Estado: estamos em presença de uma ideologia parasitária e auto-contraditória, à semelhança do marxismo (embora o marxismo tenha outro tipo de contradições).

Os actuais ideólogos da “economia de mercado” não defendem o mercado, coisa nenhuma; porque rebelando-se radicalmente contra o Estado, não reconhecem uma coisa tão simples como esta: qualquer mercado é sempre regulado por um qualquer Estado, mesmo que não exista grande regulação: mesmo a falta de regulação do mercado por parte do Estado é uma forma de regulação que depende das leis emanadas do Estado.

É neste sentido que o Neoliberalismo é parte do movimento revolucionário. As ideologias de António Borges (Goldman Sachs) e a de Francisco Louçã (Internacional Comunista) são duas faces da mesma moeda.

Resumidamente, podemos encontrar os rastos ideológicos do Neoliberalismo em quatro fontes ideológicas, das mais recentes para as mais antigas: 1/ uma certa interpretação da teoria de Hayek; 2/ a adopção do Objectivismo de Ayn Rand; 3/ o individualismo antropocêntrico ideológico de Nietzsche; 4/ a adopção ad Litteram das ideias do Marginalismo do século XIX.

No meio desta mistela ideológica que sustenta uma certa visão de sinificação da economia global, o liberalismo clássico permanece apenas como um “ruído de fundo” da ideologia neoliberal.

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