perspectivas

Segunda-feira, 12 Novembro 2012

O vesgo burro

“A Igreja Católica Apostólica Romana, hipócrita, pecadora, indulgente, ferida pelas marteladas de Lutero na porta da igreja do castelo de Wittenberg, complexada pela superioridade moral do monge e pela sua defesa do “arrependimento verdadeiro” versus “a moeda que tilintando no fundo da caixa das esmolas libertava uma alma do Purgatório”, gostará desta demonização do puritanismo protestante.”

via José Pacheco Pereira, in ABRUPTO.

Muito pior do que um cego, é um vesgo convencido que vê bem; porque o cego tem plena consciência de que ou não vê nada, ou vê muito pouco. Mas ainda pior do que um vesgo é um burro, porque um burro, embora não sendo eventualmente nem cego nem vesgo, recusa-se a ver. E um burro vesgo é ainda pior do que um burro velho, porque se o último não toma andadura, o primeiro pensa que anda mesmo estando parado. O burro vesgo é um mal supremo.

O José Pacheco Pereira incarna aqui o papel de burro vesgo, porque dá a sensação de desconhecer a História das Ideias — o que é péssimo para quem diz que tem um curso de filosofia. De vez em quando, o José Pacheco Pereira tem uns arremedos totalitários que lhe advêm do tempo em que militou na Esquerda maoísta — arremedos esses que lhe turbam as ideias e transformam-no em um burro vesgo.

Lutero submeteu totalmente a religião cristã ao Estado — e talvez por isso é que o José Pacheco Pereira defende o luteranismo contra o catolicismo. Em contraponto, o catolicismo defendeu a máxima “Dai a César o que é de César”, mantendo a religião independente do Estado. E para uma mente com resquícios maoístas e totalitários, como a dele, uma religião independente do Estado é heresia.

O José Pacheco Pereira tem falta de prática. O cursinho de filosofia valeu-lhe de muito pouco. Precisa de aprender alguma coisa mais, mas para isso tem que deixar de ser vesgo (politicamente) e burro (intelectualmente). Recomendo-lhe a leitura de Eric Voegelin (“Ordem e História”), por exemplo. Ou, para começar — e para não exigir muito dos seus neurónios cristalizados num sistema ortodoxo qualquer —, a leitura de Hans Jonas (“The Gnostic Religion”).

Nota: é preciso que comecemos a dessacralizar algumas “vacas sagradas” da nossa praça. A maior parte delas, “é só fumaça”, com teorias coladas na testa com cuspe. Colocadas perante factos e evidências, as vacas sagradas passam a tigres de papel.

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