Adriano Moreira — outro “retro” — escreveu o seguinte no seu livro “Tempo de Vésperas”:
“Não é aceitável chamar “prudência” à incapacidade de correr riscos, ou chamar “ponderação” à falta de capacidade para tomar decisões, ou chamar “paciência” à falta de sentido para agir a tempo. E assim por diante a misturar o sim e o não da vida, a inverter os sinais, a deturpar as palavras, a recusar as opções, como se a natureza das coisas pudesse ser iludida.”
Esta sentença de Adriano Moreira serve tanto para José Sócrates como para Passos Coelho: o primeiro porque “invertendo os sinais e deturpando as palavras”, vendeu a banha-da-cobra aos portugueses; e o segundo porque “invertendo os sinais e deturpando as palavras”, chama “prudência” à incapacidade de correr riscos, “ponderação” à falta de capacidade para tomar decisões, e “paciência” à falta de sentido para agir a tempo.