perspectivas

Quarta-feira, 12 Setembro 2012

As Forças Armadas, o Tratado de Lisboa, Passos Coelho e o “clima de medo”

« Os militares garantem assim que “estão ao serviço do povo português e não de instituições particulares”, e avisam: “Que ninguém ouse pensar que as Forças Armadas poderão ser usadas na repressão à convulsão social que estas medidas poderão provocar”. »

via Militares avisam Governo que estão com a população contra a austeridade | Económico.

Se imaginarmos um cenário de um protesto nacional popular massivo contra o governo de Passos Coelho, e em que as Forças Armadas portuguesas se recusem a servir de carrasco contra o seu próprio povo, o Tratado de Lisboa, assinado por José Sócrates, permite a que Passos Coelho possa, por exemplo, solicitar a Espanha ou a França que envie as suas Forças Armadas para uma missão de repressão brutal do nosso povo. É isto que a nossa classe política sabe, mas que nunca informou o povo português quando assinou o Tratado de Lisboa.

Na declaração divulgada nesta terça-feira, Siza Vieira, que se recusa a ser considerado um patriarca dos arquitectos, explica que está num constante processo de aprendizagem e que, “ultimamente” a aprendizagem “mais dura e mais forte” é assumir que, em Portugal, “se vive de novo em ditadura”.

“Aqui [em Portugal] temos uma ditadura” que, “aparentemente”, prevê “uma negociação”, mas “onde não se vê essa negociação”, disse o arquitecto português, considerando que Espanha “pode estar próximo de uma situação semelhante”.

via Siza Vieira: em Portugal, há a sensação de se viver “de novo em ditadura” – Cultura – PUBLICO.PT.

Quando todos nós vimos já polícias espanhóis a fazer patrulhas dentro do território português [e, para disfarçar, vemos também a nossa polícia a patrulhar dentro das fronteiras espanholas], o que se passa é a aplicação pura e simples do Tratado de Lisboa, que prevê que as forças policiais e armadas dos países da União Europeia possam entrar no território de Portugal a pedido arbitrário de um governo português “amigo” dos países do directório da União Europeia.

Esta é uma das muitas razões por que Passos Coelho se sente praticamente à vontade para fazer o que lhe der na sua plebeia gana contra o povo português, porque se sente respaldado pela força militar das grandes potências da própria União Europeia.

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