perspectivas

Quarta-feira, 29 Agosto 2012

A estratégia bovinotécnica

“Há algo de muito representativo do país que temos sido nesta atitude de tentar “salvar”, a qualquer custo, das “garras dos “privados”, a RTP, a televisão fundada no Estado Novo e docemente acalentada por todos os regimes que se lhe seguiram.”

via um marco histórico « BLASFÉMIAS.

Repare bem, caro leitor, que “a RTP foi fundada pelo Estado Novo”, pressupondo-se implícita e alegadamente que antes do Estado Novo — que ele próprio foi fundado em 1928 — já existia televisão. Ou seja, parece que o Estado Novo fundou a RTP mas poderia não a ter fundado, ou que existiria uma qualquer possibilidade de o Estado Novo não a ter fundado.

A “estratégia bovinotécnica” consiste em insinuar que a RTP foi “fundada pelo Estado Novo” mas que tal fundação poderia não ter acontecido; ou então, que tendo sido “fundada pelo Estado Novo”, melhor teria sido que a RTP nunca tivesse sido fundada.

Quem é que paga e financia a “estratégia bovinotécnica”?

6 comentários »

  1. Eu nasci no Estado Novo.

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    Comentar por Bic Laranja (@biclaranja) — Quarta-feira, 29 Agosto 2012 @ 7:50 pm | Responder

  2. O Estado Novo foi fundado em 33. Mas para o caso dá no mesmo.
    Cumpts.

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    Comentar por Bic Laranja (@biclaranja) — Quarta-feira, 29 Agosto 2012 @ 7:52 pm | Responder

    • Em bom rigor, o Estado Novo teve início em 28 de Maio de 1926:

      “A designação oficiosa “Estado Novo”, criada sobretudo por razões ideológicas e propagandísticas, quis assinalar a entrada numa nova era, aberta pela Revolução Nacional de 28 de Maio de 1926, marcada por uma concepção antiparlamentar e antiliberal do Estado. Neste sentido, o Estado Novo encerrou o período do liberalismo em Portugal, abrangendo nele não só a Primeira República, como também o Constitucionalismo monárquico.”

      http://bit.ly/PrTg6X

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      Comentar por O. Braga — Quarta-feira, 29 Agosto 2012 @ 7:56 pm | Responder

  3. Prezado O. Braga. Não quero entrar em polémica consigo. Só lhe digo que regime do Estado Novo decorre da Constituição de 33, encerrando-se assim pela normalidade constitucional o período da Ditadura Militar que vinha do 28 de Maio. Aliás a péssima tirada que aí me deixa não diz que o Estado Novo começou no 28 de Maio mas sim que essa data foi o alvor duma «nova era» que, por mera propaganda, veio a ser crismada em «Estado Novo». O sofisma da tirada que me trouxe, assimiliando o período da Ditadura (governo de salvação nacional com a Constituição de 1911 suspensa) ao do Estado Novo (governo na ordem constitucional, que vigorou até 74), não lhe há-de ter passado despercebido. A menos que a propaganda abrileira dos «48 anos de fascismo» o tenha convencido que é tudo braço estendido e bota cardada, o que não acredito. Formalmente não é e em bom rigor cada período tem a sua natureza. A Ditadura nem se envergonhava de o ser e mostrava-se tal como era; gravava o seu nome na pedra e apenas na justa medida do que fez, como a conclusão de obra que outros pensaram e começaram ( http://biclaranja.blogs.sapo.pt/533292.html ) .
    O artigozinho donde tirou o excerto, de resto, logo abaixo delimita inequìvocamente «O Estado Novo (1933-1974) foi um regime…» ( http://pt.wikipedia.org/wiki/Estado_Novo_(Portugal)#Caracteriza.C3.A7.C3.A3o_geral_e_concisa_do_Estado_Novo ).
    Desculpe-me o arrazoado fora de horas.
    Cumpts.

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    Comentar por Bic Laranja (@biclaranja) — Quinta-feira, 30 Agosto 2012 @ 1:39 am | Responder

    • Quando você diz que “não quer entrar em polémica comigo”, parece-me que está a querer entrar em polémica comigo.

      Note bem uma coisa muito simples: este blogue é escrito ao correr da pena; cada vez tenho menos tempo disponível para isto. E, por isso, é possível que, ali ou aqui, falte uma vírgula. Agradeço antecipadamente aos leitores que me apontem as vírgulas que faltam nos meus textos, o que não significa necessariamente que queiram entrar em polémica comigo por causa das vírgulas.

      Depois: o termo “Estado Novo” foi utilizado pelo próprio regime dito “salazarista”. Eu estudei uma disciplina do antigo 7º Ano dos Liceus, que se chamava : Organização Política e Administrativa da Nação, contido num pequeno livrinho que mencionava, várias vezes, o termo “Estado Novo”. Portanto, o uso do termo “Estado Novo” não decorre de “propaganda contra o fascismo”: o próprio regime dito “salazarista” utilizou esse termo.

      Quando Salazar assumiu a pasta das Finanças, em 1928, e depois demitiu-se e o Carmona foi, aflito, buscá-lo outra vez, teve início, na minha opinião, o Estado Novo. A Constituição de 1933, exarada naquele pequeno livrinho de que falei acima, foi — na minha opinião — apenas o corolário do processo de subida ao Poder por parte de Salazar. E não há, da minha parte, qualquer atribuição de um sentido pejorativo em relação ao termo “Estado Novo”: pelo contrário, eu fui educado pelo Estado Novo e não renego as minhas raízes.

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      Comentar por O. Braga — Quinta-feira, 30 Agosto 2012 @ 2:18 am | Responder


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