“Eu sou contra o aborto, mas quem sou eu para julgar as outras mulheres?”
Esta proposição / pergunta surgiu no FaceBook, e é bastante comum nos dias de hoje. Pela mesma lógica, poderia perguntar-se, por exemplo: “eu sou contra o assassínio, mas quem sou eu para julgar os homens que matam outros seres humanos?”
Uma das características da idiossincrasia imposta pela Esquerda é a tentativa de inibição do juízo moral. Mas também há uma certa tendência idiossincrática “católica” que afirma que “não devemos julgar os outros, e que só Deus o pode fazer”. Estes “católicos” prestam um péssimo serviço à Igreja Católica. Ambas as idiossincrasias são irracionais [porque existem idiossincrasias racionais].
O que podemos legitimamente julgar nos outros são os comportamentos objectivos, na medida em que retiramos da sua objectividade ilacções éticas concretas e racionais. É claro que eu não posso julgar os sentimentos dos outros, porque os sentimentos fazem parte da subjectividade; mas posso perfeitamente fazer um juízo de valor acerca de comportamentos, que são objectivos.
As razões subjectivas que levam um homem a matar outro — sem que seja em legítima defesa [direito natural] — não me dizem directamente respeito porque as não posso julgar objectivamente; essas razões entram na esfera do juízo divino. Mas o acto em si mesmo — a acção; o comportamento e o motivo objectivo — é concreto e não deixa dúvidas da sua objectividade; e neste caso é nosso dever e obrigação formular juízos de valor, por várias razões: éticas [hierarquia de valores], sociais [coesão social] e políticas [organização da sociedade].