perspectivas

Sábado, 21 Julho 2012

A escumalha também se abate

Quando recentemente faleceu Miguel Portas, abstive-se de fazer qualquer comentário ao infausto evento, não obstante o facto de a minha animosidade a tudo o que seja Bloco de Esquerda ser visceral.

Para que se tenha uma ideia, eu tolero um militante do Partido Comunista, mas nunca jamais tolerei alguém do Bloco de Esquerda. Dentro da sua idiossincrasia ideológica, o membro do Partido Comunista é geralmente um indivíduo disciplinado e hierarquicamente responsável. Durante muito tempo, na base de apoio do Partido Comunista existia, por exemplo, povo católico praticante, nomeadamente no Alentejo; portanto, a base sociológica do Partido Comunista era — não sei se ainda é — bastante heterogénea.

O Bloco de Esquerda nunca foi nada disto. A formação do Bloco de Esquerda foi a reunião da pior escumalha que existiu em Portugal depois dos anarquistas da I república. A base sociológica do Bloco de Esquerda não é o povo: antes, é uma certa categoria de portugueses absolutamente alienada e desnacionalizada que vê no povo, e naquilo que o povo representa culturalmente, o seu inimigo. Francisco Louçã odeia com o mesmo afinco e dedicação o presidente do Banco BES e o povo de uma aldeia alentejana que vai à missa dominical.

O Bloco de Esquerda não é um partido: é uma corja. Qualquer comparação, ou mesmo analogia, entre o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda é concerteza uma afronta insultuosa para os comunistas.

Voltando a Miguel Portas: sendo ele militante fundador do Bloco de Esquerda, sempre o considerei um membro proeminente de uma associação de malfeitores. Mas na morte dele, calei-me aqui, por dever de respeito; não por ele, mas pela morte de um ser humano. Porém, o que verificamos neste blogue bloquista, e em relação ao professor José Hermano Saraiva, não é o respeito pela morte de um ser humano: é a transformação da morte de alguém em um instrumento de arremesso político.

O desrespeito do Bloco de Esquerda pela morte de um ser humano merece que tratemos da mesma forma os seus militantes. Quem não respeita a morte de outrem não merece que lhe respeitem a vida.

2 comentários »

  1. Tem inteira razão. A grosseria desta gente é congénita e infrene. São como os bichos.
    Quando ontem tive aqui a noticia do Professor Hermano Saraiva vinha de ler mais abaixo a odiosa menagem do primeiro ministro português aos guerrilheiros da Frelimo. A minha vontade foi anexar o comportamento camaleónico do primeiro ministro ao exemplo patriótico e digno do Professor num mesmo verbete de modo a acentuar o fosso entre a gente grada que tivemos e a que nos sobra. Tive de engolir a frustração de não se o poder fazer por imperativo de decoro e penitencio-me até de o ter pensado. Imagine agora o asco que me veio quando vi o que aqueles selvagens publicaram. — Como é que não sabem ficar calados, Senhor! — Condenados às galés seria pouco, Deus me perdoe.
    Cumpts.

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    Comentar por Bic Laranja (@biclaranja) — Sábado, 21 Julho 2012 @ 2:21 pm | Responder

    • Eu confesso que sou pouco cristão em determinadas circunstâncias em que sou mais pela lei de Talião. Dou a outra face apenas uma vez e não há possibilidade de uma segunda. Ser cristão não é sinónimo de invertebrado.

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      Comentar por O. Braga — Sábado, 21 Julho 2012 @ 2:38 pm | Responder


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