perspectivas

Sábado, 16 Junho 2012

A refutação da ética de Kant em 125 palavras

Filed under: ética,filosofia — O. Braga @ 8:01 am
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A ética de Kant é uma fraude. O princípio do imperativo categórico apresenta duas falhas funestas.

A primeira diz respeito ao suicida. Segundo o imperativo categórico de Kant, o suicida, com o seu comportamento que o leva a desejar a morte, desejará também que toda a gente se suicide — o que é uma contradição em termos.

A segunda falha fatal da ética de Kant, é a de que eu não sou, de modo algum, inconsequente se prefiro que os outros sigam as regras que eu próprio não gostaria de seguir.

Por exemplo, se eu minto sempre que me apetece, mas desejo que todos os outros digam sempre a verdade, na minha qualidade de grande oportunista, e na medida em que sou e quero ser oportunista, sou também, em certa medida, perfeitamente consequente com a aplicação do imperativo categórico de Kant.

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8 comentários »

  1. Amigo, o imperativo categórico de Kant não é “quero que o mundo aja como eu penso ou desejo”. Procure ler alguém que explique Kant, você não entendeu o que ele diz. Abs

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    Comentar por Ruiter Faraco — Terça-feira, 10 Março 2015 @ 6:13 am | Responder

    • Amigo: se você pensa que eu estou errado, deveria explicar por quê, porque eu gostaria de aprender com você. Sendo que você é mais inteligente e perspicaz do que eu, eu teria muito orgulho em receber dicas da sua parte acerca deste assunto.

      Ora, acontece que eu não escrevi em lugar nenhum que o imperativo categórico de Kant consiste em “quero que o mundo aja como eu penso ou desejo”. Estive a ler com cuidado aquilo que eu escrevi, mas penso que não escrevi isso.

      Por isso, peço encarecidamente que você me explique e me aponte as falhas de raciocínio, porque eu gosto muito de aprender com os outros.

      Obrigado.

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      Comentar por O. Braga — Terça-feira, 10 Março 2015 @ 6:20 am | Responder

      • Pelo que percebi, o texto diz que duas coisas/posturas refutariam Kant: 1. SUICIDA e 2. “se eu minto sempre e desejo que os outros digam a verdade”.
        Vamos lá.

        1. Suicida.
        Isso não refuta o imperativo categórico de Kant. Imperativo categórico de Kant é: “Haja de uma forma tal que a máxima de sua conduta possa ser uma verdade universal.”
        Se a conduta suicida não pode ser utilizada como uma máxima universal, logo, ela não pode ser classificada como um imperativo categórico: é evidente que o ato suicida, se praticado por todos, levaria ao fim da humanidade (isso é mais do que óbvio).

        2. “mentir sempre e desejar que o outro diga a verdade”
        Idem, não refuta Kant.
        Porquanto a conduta de ser um mentiroso costumeiro, mas que deseja dos demais a verdade, é uma postura que também não pode ser elevada a uma máxima universal, pois, apesar de você desejar que os outros digam a verdade, a conduta completa principal é a de ser mentiroso (que deseja, porém, dos outros a verdade). Logo, se todos atuarem dessa forma (serem mentirosos mas “desejando” dos outros a verdade) não pode ser classificada como uma máxima universal nos termos do imperativo categórico kantiano: ter-se-á uma sociedade de demônios (como, inclusive, afirma L. Fabre).

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        Comentar por Thiago Ramos Varanda — Sexta-feira, 20 Março 2015 @ 6:13 am

      • “Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal”.

        O “apenas” é importante.

        1/ O imperativo categórico é dirigido à pessoa concreta, e não de uma forma abstracta à sociedade em geral. Você teria razão se o imperativo categórico não fosse dirigido ao indivíduo mas sim ao colectivo. Repare no verbo: “age”, e não “ajam”.

        Quer você queira ou não, o suicida transforma o seu acto naquilo que ele deseja para o mundo: a morte. E quando ele deseja a morte para si e para o mundo — porque é impossível abstrair a morte, por um lado, da vida no mundo, por outro lado —, ele nada mais faz do que cumprir os requisitos do imperativo categórico que, repito, é dirigido ao indivíduo e não ao colectivo.

        2/ Se o meu comportamento se orientasse por uma norma que me permitisse mentir sempre que quisesse, então todos os outros seres humanos teriam o mesmo direito de o fazer. No entanto, se todos podem mentir, não se acredita em ninguém e nenhum mentiroso alcança o seu objectivo.

        Até aqui, Kant está correcto. Aplicada a todos os seres humanos de uma forma consequente, a máxima da mentira permitida, anula-se a si própria.

        Porém, se eu for um oportunista, eu não sou, de modo algum, inconsequente se prefiro que os outros sigam as regras que eu próprio não gostaria de seguir. Se minto sempre que me apetece, mas desejo que todos os outros digam sempre a verdade, na minha qualidade de grande oportunista, sou, em certa medida, perfeitamente consequente com a aplicação do imperativo categórico de Kant.

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        Comentar por O. Braga — Sexta-feira, 20 Março 2015 @ 6:47 am

  2. “Kant se refere ao individual e não ao coletivo”.
    Com certeza. Kant foi o máximo em tema de racionalização da moral. Kant jamais escreveu para criar uma espécie de “homem-massa” (pesquise esse termo e encontrará muitos escritos de qualidade).
    Sem entrar no mérito, ficando apenas no erro do seu raciocínio: você escreve dizendo que Kant se refere ao individual, porém mantem sua afirmação de que a postura de um suicida é classificada no imperativo categórico. Não. Não é. Procure ler mais Kant.
    Encerro a discussão.

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    Comentar por Ruiter Faraco — Sábado, 21 Março 2015 @ 7:17 am | Responder

    • É evidente que o suicida pretende para o mundo aquilo que decorre da sua acção. Nem é preciso demonstrar.

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      Comentar por O. Braga — Sábado, 21 Março 2015 @ 1:21 pm | Responder

  3. Só não vi a refutação.

    Se a norma de conduta não pode ser utilizada como uma máxima universal esta não pode ser um imperativo categórico.

    Tudo que foi dito são normativos que são incompatíveis, algo que não segue o IC refutar o IC.
    é tipo dizer “1+1=3 (que não segue as regras matemáticas) logo toda a matemática está errada”

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    Comentar por Fhoer — Sexta-feira, 22 Março 2019 @ 10:25 pm | Responder

    • Você pretende refutar a minha argumentação, mas acaba por me dar razão: ou seja, eu não vi (no seu comentário) qualquer refutação.

      O “imperativo categórico”, segundo Kant, é uma espécie de “lei” (ver em http://bit.ly/2UQX9KZ ). Ora, é exactamente o imperativo categórico, segundo Kant, e enquanto tal, que é refutado (é negado) no meu texto — ver o que significa “refutação” em http://bit.ly/2UO2XEV .

      Em filosofia, a “norma” é o critério ou princípio que rege a conduta ou o comportamento, ou ao qual nos referimos para fazer um juízo de valor; e é “normativo” qualquer juízo ou discurso que enuncie tais princípios. (ver http://bit.ly/2UNvBX2 ).

      Mas, em ética, a norma só é válida se toda a gente abdicar do seu interesse próprio, e por isso é que a lei de Kant (o imperativo categórico, enquanto juízo normativo) é auto-contraditório — como está explicado no texto:

      “Se eu minto sempre que me apetece, mas desejo que todos os outros digam sempre a verdade, na minha qualidade de grande oportunista, e na medida em que sou e quero ser oportunista, sou também, em certa medida, perfeitamente consequente com a aplicação do imperativo categórico de Kant”.

      A abdicação do interesse próprio só é possível quando o ser humano age de forma altruísta, e não há lei humana (nem imperativo categórico kantiano) que regule ou estabeleça o altruísmo. Se você não entendeu isto, você deveria estudar Direito, e não filosofia.

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      Comentar por O. Braga — Sábado, 23 Março 2019 @ 1:22 pm | Responder


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