perspectivas

Quinta-feira, 7 Junho 2012

A nova utopia política: o darwinismo utópico

« Richard Leakey predicts skepticism over evolution will soon be history.

Not that the avowed atheist has any doubts himself.

Sometime in the next 15 to 30 years, the Kenyan-born paleoanthropologist expects scientific discoveries will have accelerated to the point that “even the skeptics can accept it.” »

via Scientist: Evolution debate will soon be history – Technology & science – Science – msnbc.com.

Depois da queda do muro de Berlim e da desgraça do marxismo, o movimento revolucionário agarrou-se imediatamente ao marxismo cultural. Depois que alguns académicos marxistas, como por exemplo, Peter Singer ou Daniel Dennett, há meia dúzia de anos atrás, terem recomendado que o marxismo fosse abandonado (pelo menos, provisoriamente) pela Esquerda, e substituído pelo darwinismo, surge, em todo o seu esplendor, a nova utopia política: o darwinismo utópico.

Hoje, já não é preciso demonstrar que o marxismo nada tinha de científico: a experiência da humanidade fala por si. Mas a nova utopia é semelhante ao marxismo e ao nazismo: ao mesmo tempo que defende a diferenciação das elites em relação às massas, impõe a estas uma igualdade de Procrustes como forma de “corrigir os erros da natureza”, e em nome da ciência e do Saber.

A nova utopia é mais dissimulada do que o marxismo, no sentido em que nem sempre defende a violência dos levantamentos populares [como por exemplo, o apoio ao movimento “ocupa” de Wall Street, ou apoio à “rua árabe” no Próximo Oriente], mas antes defende a ideia de que uma certa elite deve tomar o poder político por compadrio e pela corrupção [por exemplo, através da maçonaria], e a ruling class deve estar, toda ela, sintonizada com os princípios ideológicos fundamentais da nova utopia.

O darwinismo utópico parte do princípio segundo o qual a natureza e a sociedade são portadores de “erros naturais” [porque “a natureza erra, no processo de evolução”] que devem ser corrigidos por uma certa elite política que deve controlar a ruling class, partindo do princípio maniqueísta segundo o qual “quem não é por nós, é contra nós” — neste ultimo aspecto, o darwinismo utópico herdou do marxismo e do marxismo cultural o princípio de “tolerância repressiva”.

Esta ideia darwinista, segundo a qual existe uma elite de Pneumáticos, com o estatuto de deuses, que se julgam capazes de decidir arbitrária e discricionariamente sobre a ordem da sociedade, sobre a vida e a morte, e sobre a “salvação” dos Hílicos, surge como uma nova manifestação do gnosticismo, sucedânea do marxismo. Mas o darwinismo utópico é ainda mais perigoso, porque não baseia a sua ideologia especificamente na economia, como fez o marxismo; antes, adoptou a ideologia de luta entre grupos sócio-culturais e étnicos, por exemplo, com a defesa do multiculturalismo — o que é característico do marxismo cultural [dividir para poder reinar] —, por um lado; e, por outro lado, dado que o darwinismo utópico não baseia, aparentemente, a sua ideologia em um especifico modelo económico, é susceptível de ser aceite tanto por gente de esquerda como por neoliberais. O darwinismo utópico é uma utopia mais universalista do que foi o marxismo.


É sabido que a teoria de Darwin esteve nos fundamentos ideológicos de quase todas as religiões políticas que surgiram no século XIX e XX. O darwinismo fez parte integrante da mistela ideológica do marxismo-leninismo, do nazismo, do eugenismo americano de Margaret Sanger, do objectivismo de Ayn Rand, enfim, não escapa praticamente nenhuma.

Com a afirmação do marxismo cultural depois da queda do muro [por exemplo com o Bloco de Esquerda], o darwinismo utópico começou a assumir os seus contornos actuais que se caracterizam pela ideia segundo a qual cabe a uma certa elite social — os novos filósofos, segundo a ideia de Platão do “Rei-filósofo” — corrigir os erros da natureza que enformam, de uma forma determinista, a sociedade. E na medida em que essa elite de novos Pneumáticos se julga no direito, com o poder, e com o Saber, de corrigir os erros determinados pelas leis da natureza aplicadas ao ser humano — atribuindo-se a si mesmos o estatuto de deuses — o poder e a justiça tornam-se paulatinamente arbitrários e discricionários, dependendo [em crescendo] apenas do juízo casuístico de uma elite de auto-eleitos.

A médio prazo, é possível que o darwinismo utópico substitua paulatinamente as actuais ideologias do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda porque, alegadamente, a nova utopia baseia-se na “ciência” e no determinismo das leis da natureza aplicadas ao ser humano. Neste sentido, será possível uma certa conjunção ideológica fundamental entre toda a esquerda que inclui o Partido Socialista — o que significa que o futuro do Partido Socialista não passa por pessoas como José António Seguro, mas passa por gente como o radical Francisco Assis.

E, por outro lado, a nova utopia tende a contaminar as forças políticas à direita, estabelecendo um pano de fundo ideológico e cultural que se caracteriza por um unanimismo nos princípios fundamentais, e que tende a esclerosar a sociedade — o que já está a acontecer, não só no Partido Social Democrata, mas também no CDS/PP com os “submarinos” de tipo Adolfo Mesquita Nunes, e com o provável anúncio do coming out político, à maneira de Obama, do próprio Paulo Portas.

A nova utopia do darwinismo utópico é globalista na medida em que é apoiada por forças poderosas globalistas. E, sentindo o poder e a força dessa elite globalista, os caciques locais e nacionais da nova utopia sentem-se respaldados no seu estatuto de deuses, legitimados nas suas arbitrariedades e nos abusos de poder.

Hoje vemos, nos me®dia, cada vez mais gente a apelar ao Estado de Direito ou reclamando da ausência deste. A nova utopia darwinista tende a minar o Estado de Direito, servindo-se para tal, do próprio Estado de Direito: por exemplo, o conceito de “vontade geral”, subjacente à democracia representativa, está já a ser usado, neste momento, pela nova elite neognóstica para enviesar e, em última instância, erradicar da cultura política, o próprio conceito de “vontade geral”.


O conceito de internacionalismo, característico do marxismo e da esquerda em geral, tende a ser substituído, pelo darwinismo utópico, pelo conceito mais abrangente de globalismo.

O dogma da ideologia de género defende a ideia segundo a qual os seres humanos são todos iguais, mas apenas do pescoço para baixo.

É neste contexto de globalismo que se inserem novos dogmas, como por exemplo: o do aquecimento global antropogénico que tenta justificar o aborto em massa e mesmo o infanticídio [Peter Singer]; o homossexualismo como sub-ideologia política que tende a uma aplicação coerciva e para-totalitária a toda a sociedade; o dogma da ideologia de género, que defende a ideia segundo a qual os seres humanos são todos iguais, mas apenas do pescoço para baixo; o dogma darwinista do determinismo aplicado ao ser humano, retirando-lhe o livre-arbítrio e transformando a justiça em um mero exercício de casuística, determinada pela elite dos deuses pneumáticos [os novos juízes tendem a decidir, cada vez mais, de forma subjectiva]; etc..

Tal como o gnosticismo da Antiguidade Tardia, e tal como o marxismo e o nazismo, a nova ideologia do darwinismo utópico é altamente destrutiva; e todas essas ideologias basearam-se no conceito de superioridade, em relação ao Saber, por parte de uma elite de auto-iluminados. Em tese, a capacidade de destruição em massa, causada pelo darwinismo utópico, não tem limites.

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