perspectivas

A evolução da homofobia para o homofobismo

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Actualmente, o conceito de homofobia não se refere apenas à agressão física ou ao assassinato contra a população LGBT.

Segundo a ABGLT, o conceito é mais amplo:

“A homofobia é um conjunto de emoções negativas (tais como aversão, desprezo, ódio, desconfiança, desconforto ou medo), que costumam produzir ou vincular-se a preconceitos e mecanismos de discriminação e violência contra pessoas homossexuais, bissexuais e transgéneros (em especial, travestis e transexuais) e, mais genericamente, contra pessoas cuja expressão de género não se enquadra nos modelos hegemónicos de masculinidade e feminilidade.

A homofobia, portanto, transcende a hostilidade e a violência contra LGBT e associa-se a pensamentos e estruturas hierarquizantes relativas a padrões relacionais e identitários de género, a um só tempo sexistas e heteronormativos“.

via Comercial da Nova Schin pode ser retirado do ar por incentivar homofobia – Economia – Extra Online.

O que estamos a ver aqui já não é homofobia, mas passou a ser homofobismo.

Homofobismo é um “ismo”; é uma ideologia. Aliás, homofobia sempre foi um conceito político-ideológico disfarçado: nunca existiu uma definição de homofobia. Ao não se definir homofobia, manteve-se o conceito aberto para evoluções ideológicas que se adaptassem ao “progresso da opinião pública”.

O homofobismo já não é a constatação de um comportamento hostil e agressivo em relação aos gays; antes, passou a ser o juízo do próprio pensamento das pessoas. Como é impossível saber o que alguém pensa em relação ao comportamento dos gays, o homofobismo presume que sabe o que esse alguém pensa. Já estamos no domínio da Inquisição, da STASI ou do KGB.

Segundo se diz, o homofobismo é “um conjunto de emoções negativas”, como por exemplo, “desconforto” em relação a pessoas que têm um determinado comportamento.

Mas quem decide se essa sensação de desconforto existe em mim, ou não, não sou eu: existe um procedimento exógeno e alheio à minha vontade que julga as minhas próprias emoções em função de uma minha eventual recusa em relação a um comportamento social que exige um certo mimetismo. Ou seja: “se não amochas, és homófobo”.

A pergunta que eu faço é esta: vale a pena lidar com o homofobismo de forma racional? Apresentar-lhes argumentos racionais que demonstrem a monstruosidade, em termos humanos, que eles estão a exigir da sociedade? Fazer-lhes ver que as outras pessoas também têm direito à liberdade? Vale a pena?

A minha resposta é não. Estou convencido de que não vale a pena — assim como não vale a pena demonstrar racionalmente a um comunista que o marxismo não é científico porque não é refutável. Paradoxalmente, a transformação do conceito de homofobia em homofobismo, passa a justificar o exercício da violência sobre os membros do lóbi político homofascista, uma vez que qualquer possibilidade de dialogo racional passa agora a ser impossível.

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